MDB pode até fechar com Alan, mas parte da sigla já escolheu permanecer com Mailza

O MDB pode ter um palanque oficial, mas seus principais quadros devem aparecer divididos na campanha de 2026

Por Matheus Mello, ContilNet 27/06/2026 às 08:30
Mailza ao lado de Vagner Sales/Foto: Reprodução

A possível aliança entre MDB e o senador Alan Rick não deve produzir o efeito de unificar o partido no Acre. A tendência é que, mesmo com uma decisão oficial da direção estadual, uma ala importante da legenda permaneça ao lado da governadora Mailza Assis.

Os sinais já estão postos. Ney Amorim, que migrou para o MDB durante a construção da aliança governista, deve assumir a coordenação política da campanha de Mailza. A escolha dificilmente aconteceria se houvesse disposição para acompanhar um eventual projeto de Alan Rick.

O mesmo raciocínio vale para outros nomes que ingressaram ou fortaleceram vínculos com o MDB a partir desse acordo político. Minoru Kinpara, Pedro Longo, Antônia Lúcia e Luiz Gonzaga fazem parte do grupo que tende a permanecer na base da governadora, independentemente da posição formal adotada pelo partido.

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Na prática, a disputa deixa de ser apenas pela sigla. Alan pode até conquistar o apoio institucional do MDB, mas isso não significa levar automaticamente todas as lideranças que hoje compõem a legenda.

O movimento também expõe que a negociação construída para atrair o MDB ao grupo governista foi mais ampla do que uma simples composição eleitoral. Ela envolveu espaço político, fortalecimento das chapas proporcionais e a perspectiva de o partido indicar o candidato a vice na chapa de Mailza.

Por isso, mesmo que a executiva estadual decida seguir outro caminho, dificilmente haverá uma migração em bloco. O MDB pode ter um palanque oficial, mas seus principais quadros devem aparecer divididos na campanha de 2026.

Decidido

Antes, havia a avaliação de que os nomes ligados ao governo e que migraram para o MDB permaneceriam com Mailza, mesmo se o partido oficializar apoio ao senador Alan Rick. Agora, esse grupo pode ser ainda maior.

Um exemplo é o ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre. Filiado ao MDB desde 2023, ele se tornou um dos principais articuladores da legenda e já declarou publicamente apoio à pré-candidatura de Mailza ao governo.

A posição de Marcus chama atenção porque ele não integra o grupo que chegou ao partido após a aproximação com o governo. Ainda assim, tende a permanecer ao lado da governadora.

Além do peso político no Acre, Marcus mantém interlocução direta com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. Caso a disputa sobre o posicionamento do partido avance para a direção nacional, essa relação pode dar ao ex-prefeito um papel importante nas conversas sobre o futuro da legenda na eleição estadual.

O MDB vale mais que a sigla

Quem acompanha as conversas sabe que a disputa não é apenas pelo símbolo do MDB. O que interessa, de fato, são os prefeitos, vereadores e lideranças espalhadas pelo estado. Um apoio no papel vale pouco se os principais quadros seguirem outro caminho.

Pressa de um lado, cautela do outro

Enquanto aliados de Alan Rick trabalham para anunciar novas adesões, o Palácio Rio Branco aposta no tempo. A avaliação é que, quanto mais a eleição se aproxima, mais difícil fica para lideranças romperem com quem está no governo.

Cada vez mais perto

As aparições conjuntas entre Sérgio Petecão e Alan Rick deixaram de ser pontuais. Nesta quinta-feira, os dois cumpriram agenda no estado e desembarcaram juntos no aeroporto de Rio Branco. O gesto tem endereço certo: Petecão trabalha para ocupar a vaga ao Senado na chapa encabeçada por Alan em 2026.

As chapas começam a ganhar forma

Com a aproximação cada vez maior entre Sérgio Petecão e Alan Rick, a chapa da oposição começa a sair do papel. Hoje, o desenho mais provável tem Alan na disputa pelo governo, Petecão e Mara Rocha para o Senado. A única peça ainda em aberto é a vaga de vice.

Do outro lado, a base governista também já tem boa parte da composição encaminhada. Mailza Assis lidera a chapa ao governo, enquanto Gladson Cameli e Márcio Bittar são os nomes ao Senado. A definição do vice segue vinculada ao desfecho das negociações com o MDB.

Na esquerda, a construção também avança. Thor Dantas é o pré-candidato ao governo, Jorge Viana e Inácio Moreira aparecem como os nomes ao Senado, e o médico Dr. Luisinho desponta como o favorito para a vice, caso confirme a aliança e retire sua pré-candidatura ao Palácio Rio Branco.

A exceção tucana

Enquanto os demais grupos começam a desenhar suas chapas, o ex-prefeito Tião Bocalom ainda está longe de apresentar um time completo. Até agora, não anunciou quem serão seus candidatos ao Senado nem o nome para vice. Curiosamente, embora declare apoio às candidaturas de Gladson Cameli e Márcio Bittar ao Senado, ambos integram a chapa de Mailza Assis, e não um eventual projeto tucano ao governo. Isso deixa, por enquanto, mais perguntas do que respostas sobre a estratégia do PSDB para 2026.

Vice continua em aberto

A vaga de vice segue como um dos principais instrumentos de negociação da pré-campanha. Nenhum partido recebeu garantia até agora, justamente para que o governo mantenha margem de negociação até a reta final das alianças.

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