Mais magro, com a pele visivelmente bronzeada e aparentando estar em plena forma, o ex-governador Gladson Camelí desembarcou na manhã desta quinta-feira (30) no aeroporto de Rio Branco, atraindo olhares, cumprimentos e, claro, especulações nos bastidores da política acreana.
A recepção foi calorosa. Entre os primeiros a abraçá-lo estavam amigos mais próximos, integrantes do seleto grupo de confiança conhecido nos corredores políticos como “Carne & Unha”. Entre eles, Júlio César, aliado de longa data e companheiro de caminhada há cerca de duas décadas, reforçando a imagem de que Gladson mantém intacto seu núcleo de fidelidade política e pessoal.
Mas o momento que mais chamou atenção aconteceu ainda no saguão do aeroporto, quando o repórter Everton Damasceno, do ContilNet, abordou o ex-governador sobre as recentes exonerações promovidas pela governadora Mailza Assis. Sem demonstrar incômodo, Gladson adotou um discurso institucional e diplomático. Disse que, embora tenha conversado com Mailza sobre a permanência de integrantes de sua antiga equipe, a chefe do Executivo tem total prerrogativa para nomear e exonerar quem considerar necessário.
A fala foi interpretada nos bastidores como um gesto claro de respeito à autonomia da governadora, mas também como um recado de que o diálogo entre ambos permanece aberto, mesmo em meio às mudanças na estrutura administrativa. Em política, o que se diz publicamente nem sempre traduz tudo o que se discute nos bastidores.
Outro ponto que despertou curiosidade foi a pergunta sobre a médica Jéssica Sales, nome anunciado como possível vice na chapa de Mailza e que, desde então, tem mantido discrição absoluta. Ausente dos holofotes e cada vez mais silenciosa, Jéssica virou tema inevitável entre analistas e lideranças políticas. Gladson, no entanto, tratou de encerrar qualquer especulação: garantiu que ela será, sim, a vice de Mailza.
Provocado sobre a existência de um eventual plano alternativo, o ex-governador respondeu com o bom humor que lhe é característico: “Tenho plano de A até o Z. Só não tenho planos para ir para Manacapuru”, brincou, arrancando risos e, ao mesmo tempo, deixando no ar a mensagem de que o grupo político trabalha com diferentes cenários.
A volta de Gladson, ainda que cercada de descontração, reacende o termômetro da sucessão e reforça a percepção de que os próximos movimentos do grupo governista serão acompanhados de perto. Na política acreana, até uma chegada no aeroporto pode valer mais do que muitos discursos.
