Menos funcionários, mais filas: a realidade das farmácias em Rio Branco

Na prática, o funcionário está sendo obrigado a desempenhar diversas funções ao mesmo tempo

Por Wania Pinheiro, ContilNet 30/05/2026 às 17:18
Quem frequenta algumas das maiores redes do setor percebe facilmente a mudança. — Foto: Imagem produzida por IA pelo ContilNet

Comprar medicamentos em grandes redes de farmácias de Rio Branco tem se tornado uma experiência cada vez mais demorada e desgastante. Mas não apenas para os clientes. Os próprios funcionários parecem estar pagando um preço alto por um modelo de atendimento que busca reduzir custos, concentrando várias funções em um único trabalhador.

Quem frequenta algumas das maiores redes do setor percebe facilmente a mudança. Antigamente, havia atendentes responsáveis por orientar os clientes e caixas encarregados exclusivamente dos pagamentos.

Hoje, em muitas unidades, a mesma pessoa atende, tira dúvidas, procura medicamentos nas prateleiras, faz a venda, recebe o pagamento e ainda precisa dar conta de inúmeras outras tarefas internas.

Na prática, o funcionário está sendo obrigado a desempenhar diversas funções ao mesmo tempo. É como se precisasse “driblar, cabecear e fazer gol” sem sequer ter tempo para respirar. O resultado é visível: filas maiores, clientes impacientes e trabalhadores exaustos.

Em algumas ocasiões, consumidores relatam encontrar apenas dois ou três funcionários para atender um fluxo intenso de pessoas ao longo do dia. A sobrecarga é evidente. Enquanto um cliente aguarda orientação sobre um medicamento, outro espera para pagar e um terceiro tenta obter informações sobre preços e promoções. Tudo isso sob responsabilidade de um número reduzido de empregados.

É claro que as empresas buscam eficiência e redução de custos. Faz parte da lógica do mercado. No entanto, existe uma linha tênue entre eficiência e exploração. Quando a economia obtida pela empresa começa a comprometer a qualidade do atendimento e a saúde física e mental dos trabalhadores, algo precisa ser revisto.

Os órgãos fiscalizadores e o Ministério Público do Trabalho deveriam observar mais atentamente essa realidade. Não se trata apenas de garantir um atendimento digno ao consumidor, mas também de assegurar condições adequadas de trabalho para quem passa horas em pé, lidando com pressão constante e metas cada vez mais exigentes.

Medicamentos são produtos essenciais. Farmácias não são apenas estabelecimentos comerciais; são locais onde muitas pessoas chegam fragilizadas, buscando alívio para dores, doenças e emergências. O mínimo que se espera é encontrar profissionais com tempo e condições adequadas para atender com atenção e segurança.

A modernização das empresas é bem-vinda. A tecnologia também. Mas nenhuma inovação deveria transformar trabalhadores em máquinas ou fazer com que a busca pelo lucro se sobreponha à dignidade humana.

Talvez tenha chegado a hora de perguntar: até quando a conta da redução de custos continuará sendo paga pelos funcionários e pelos consumidores?

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