Acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor nesta sexta após 26 anos de espera

Cerca de 93% dos itens com isenção imediata são bens industriais, como máquinas, equipamentos e produtos químicos

Por Fhagner Soares, ContilNet 01/05/2026 às 05:21
Assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em Assunção, no Paraguai/ Foto: Reprodução

Após 26 anos de complexas negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entra oficialmente em vigor nesta sexta-feira (1º). A medida cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, conectando mercados que somam mais de 700 milhões de consumidores e ampliando drasticamente o alcance comercial brasileiro no exterior.

Impacto Imediato e Redução de Custos

Nesta fase inicial, mais de 80% das exportações brasileiras destinadas ao continente europeu passam a ter tarifa de importação zerada. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 5 mil produtos incluindo alimentos, matérias-primas e bens industriais poderão entrar no mercado europeu sem o pagamento de impostos de entrada.

A nova realidade deve elevar a competitividade das empresas nacionais, uma vez que a redução tributária diminui o preço final dos produtos frente aos concorrentes internacionais. Com a entrada do bloco europeu, o percentual de importações globais cobertas por acordos brasileiros deve saltar de 9% para mais de 37%.

Setores Beneficiados

A indústria é a grande protagonista dos ganhos imediatos. Dos quase 3 mil produtos que já contam com tarifa zero hoje, cerca de 93% pertencem ao setor industrial. Os segmentos com maior impacto positivo incluem:

  • Máquinas e equipamentos: Quase a totalidade das exportações, como compressores e bombas industriais, terá isenção.

  • Alimentos e Metalurgia: Ganham fôlego com a abertura do mercado europeu.

  • Químicos e Materiais Elétricos: Beneficiados pela queda das barreiras tarifárias.

Implementação e Próximos Passos

A aplicação do tratado ocorre de forma provisória por determinação da Comissão Europeia. O texto ainda passará por uma análise de compatibilidade jurídica pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, processo que pode levar até dois anos.

Para setores considerados mais sensíveis, a eliminação de tarifas será gradual, podendo levar de 10 a 30 anos para ser concluída, permitindo a adaptação das economias locais. Na última terça-feira (28), ao assinar o decreto de promulgação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o tratado reforça o compromisso do Brasil com a cooperação internacional e o multilateralismo.

Conteúdo Original / Fonte: Redação ContilNet

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