Agência dos EUA projeta até 100 mil mortos em terremotos que atingiram a Venezuela

Modelo de computador do órgão americano calcula impactos com base em construções

Por Redação ContilNet 24/06/2026 às 20:33
Modelo de computador do órgão americano calcula impactos com base em construções/ Foto: Reprodução

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu um relatório técnico na noite desta quarta-feira (24) apontando que os terremotos de grande intensidade registrados na Venezuela possuem alto potencial de letalidade. Em uma avaliação preliminar baseada em modelos matemáticos e estatísticos, a agência governamental norte-americana estimou que o total de vítimas fatais decorrentes do desastre geológico possa se situar na faixa entre 10 mil e 100 mil mortos.

A projeção estatística detalha que há 44% de probabilidade de o volume de óbitos se consolidar dentro deste intervalo severo. O modelo analítico vai além e fixa em 33% a chance de a tragédia humana superar a marca histórica de 100 mil mortos, dadas as condições estruturais e a densidade populacional das regiões afetadas na porção norte da América do Sul.

“É provável que haja um alto número de vítimas e danos extensos, e é provável que o desastre seja generalizado”, informou a agência norte-americana em nota oficial sobre a análise inicial.

O cálculo que baliza o relatório da agência dos Estados Unidos decorre do cruzamento automatizado de dados geofísicos e demográficos. O sistema computacional confronta a magnitude exata das ondas de choque, a profundidade das fraturas tectônicas e a localização dos epicentros com a resistência das edificações locais. Os técnicos do órgão ressaltaram que as estimativas têm caráter dinâmico e passarão por revisões e calibrações à medida que dados de campo forem reportados pelas autoridades civis venezuelanas.

Os dados consolidados de monitoramento sismológico revelaram que o território venezuelano enfrentou dois fortes abalos em sequência no fim da tarde desta quarta-feira. Inicialmente, os relatos apontavam para um único evento de magnitude 7,1. Contudo, os sismógrafos registraram, na realidade, dois tremores severos em um curto intervalo de tempo.

O primeiro evento geológico ocorreu na periferia da cidade de San Felipe, com magnitude 7,2 e gerado a 21,9 quilômetros de profundidade. Apenas 39 segundos depois, um segundo sismo, mensurado em 7,5 pontos na escala Richter, atingiu o perímetro da região de Yumare.

A combinação de magnitudes elevadas com uma profundidade considerada baixa fez com que a energia propagada pelas placas tectônicas cruzasse fronteiras nacionais. O fenômeno causou oscilações estruturais na Colômbia e em capitais da região Norte do Brasil, como Manaus e Boa Vista.

Em Caracas, a capital venezuelana, registros audiovisuais amadores publicados por moradores em redes sociais documentaram cenas de pânico, correria de pedestres nas vias públicas, desabamentos parciais de prédios de alvenaria e densas nuvens de poeira resultantes do colapso de estruturas.

Diante do deslocamento de terra na faixa litorânea, o sistema de monitoramento e alerta de tsunamis dos Estados Unidos emitiu um comunicado oficial de emergência. O órgão alertou para a possibilidade iminente de formação de ondas gigantes e perigosas capazes de atingir portos e comunidades litorâneas localizadas em um raio geográfico de até 300 quilômetros a partir dos epicentros dos tremores. Até o fechamento desta reportagem, o Palácio de Miraflores, sede do governo da Venezuela, não havia publicado um balanço oficial de vítimas.

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