Alerta científico: mosquitos da dengue passam a preferir repelente

Fêmeas do Aedes aegypti submetidas a testes passaram a demonstrar preferência pelo sangue de humanos que aplicaram o produto

Por Redação ContilNet 29/05/2026 às 14:34
Fêmeas do mosquito Aedes aegypti alimentando-se de bolsa de sangue aquecido. Foto: Romina Barrozo

Um experimento internacional conduzido sob rígidos critérios de controle trouxe uma descoberta surpreendente sobre a capacidade de adaptação do principal vetor de doenças tropicais do mundo. Cientistas identificaram que fêmeas do mosquito Aedes aegypti conseguiram aprender a aceitar a presença de um repelente químico e, de forma ainda mais impressionante, passaram a demonstrar preferência por picar peles de pessoas que haviam utilizado o produto de proteção.

O estudo inédito foi desenvolvido em parceria por pesquisadores da Universidade de Tours, localizada na França, juntamente com a instituição Virginia Tech, nos Estados Unidos. O artigo com as conclusões detalhadas foi publicado na renomada revista científica internacional “Journal of Experimental Biology”.

O Resultado dos Testes: Durante as etapas práticas do experimento, os pesquisadores constataram que 6 em cada 10 fêmeas do mosquito que foram treinadas previamente ignoraram a barreira de proteção e tentaram picar de forma ativa mãos cobertas com repelente formulado à base de DEET.

Aprendizado por experiência e quebra de paradigmas

A dinâmica dos testes laboratoriais joga luz sobre as habilidades neurológicas e comportamentais dos insetos. De acordo com as análises científicas repercutidas pelo portal Diário do Centro do Mundo, os dados recolhidos alteram a forma como a medicina e a biologia encaravam a eficácia histórica das barreiras químicas contra picadas.

Conforme o relatório do especialista coordenador da pesquisa divulgado pelo Diário do Centro do Mundo, a reação natural de fuga do mosquito não é inteiramente fixa. O experimento foi liderado pelo renomado entomólogo Claudio Lazzari, que atua como professor na universidade francesa e possui histórico no Brasil como pesquisador visitante da Fiocruz.

  • Antiga tese: Acreditava-se tradicionalmente que os repelentes funcionavam puramente por toxicidade direta ou por causar o bloqueio químico total dos sensores do mosquito de Farejar o suor humano;

  • Nova descoberta: Os resultados apresentados na publicação do Diário do Centro do Mundo sugerem que a resposta de repulsa do inseto ao produto pode ser maleável e alterada com base na experiência de sobrevivência do animal.

Uso de repelente com DEET continua essencial na natureza

Apesar do impacto visual dos resultados obtidos no laboratório, a comunidade médica e os próprios autores do artigo fazem um apelo importante para evitar o pânico na sociedade. As fêmeas do Aedes aegypti foram condicionadas a ambientes artificiais específicos, o que significa que o estudo não serve como indicativo de que os mosquitos livres na natureza estejam desenvolvendo super-resistência biológica aos compostos atuais de mercado.

O uso regular de repelentes corporais — principalmente aqueles que trazem a substância DEET em sua composição — permanece listado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal e mais eficiente ferramenta de proteção individual contra a transmissão ativa dos vírus causadores da dengue, chikungunya, zika e febre amarela. As autoridades de vigilância em saúde reforçam a recomendação de aplicação diária dos produtos, em especial para moradores e viajantes que circulam em áreas com alta taxa de infestação de focos e transmissão comunitária.

FAQ

Os mosquitos da dengue na natureza estão resistentes ao repelente?

Não. O estudo foi realizado em ambientes controlados de laboratório com mosquitos treinados e não aponta que os insetos que vivem nas cidades estejam imunes ou resistentes aos produtos comerciais.

O que é a substância DEET presente nos repelentes?

O DEET é o composto químico mais tradicional e amplamente utilizado na indústria farmacêutica mundial para a fabricação de repelentes contra insetos e mosquitos transmissores de doenças.

Qual foi a proporção de mosquitos que aceitou o repelente no teste?

Conforme os dados do experimento, cerca de 60% (6 em cada 10) das fêmeas do mosquito Aedes aegypti que passaram pelo treinamento tentaram picar as peles protegidas com o produto.

Fique atento aos cuidados preventivos dentro de casa, elimine os focos de água parada e mantenha o uso do seu repelente em dia. Continue acompanhando as descobertas científicas, alertas de saúde pública e dicas de bem-estar em nossa cobertura diária.

Conteúdo Original / Fonte: Redação, ContilNet

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