Anvisa aprova registro de novo medicamento para doença de Chagas em crianças

Resolução publicada no Diário Oficial autoriza o uso do antiparasitário Lampit para pacientes de até 17 anos

Por Fhagner Soares, ContilNet 09/07/2026 às 06:17
Resolução federal que ampara o uso do nifurtimox foi disponibilizada na imprensa oficial do governo/ Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) oficializou o registro sanitário de uma nova alternativa terapêutica para o enfrentamento da doença de Chagas. Por meio da Resolução RE nº 2.631/2026, publicada no Diário Oficial da União, o órgão regulador autorizou o uso do medicamento comercial Lampit®, cujo princípio ativo é o nifurtimox. A medicação é direcionada especificamente para o tratamento de populações pediátricas, abrangendo desde recém-nascidos com peso corporal mínimo de 2,5 kg até adolescentes menores de 18 anos.

O fármaco atua no organismo como um antiparasitário sintético. O mecanismo de ação biológica do nifurtimox envolve o estímulo e a produção de radicais livres intracelulares que danificam as estruturas celulares do parasita, inviabilizando sua replicação e levando à sua progressiva eliminação do sistema sanguíneo e tecidual do hospedeiro.

A aprovação da substância ocorre em um cenário epidemiológico complexo. Estimativas de órgãos de saúde pública indicam que a doença de Chagas afeta uma parcela significativa da população brasileira, flutuando em um intervalo que atinge entre 1,9 milhão e 4,6 milhões de indivíduos infectados no país.

A enfermidade é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais patologias tropicais negligenciadas. Por acometer historicamente grupos populacionais de extrema vulnerabilidade social e de baixa renda, o agravo tradicionalmente desperta baixo interesse econômico por parte das indústrias farmacêuticas multinacionais para o financiamento de pesquisas científicas voltadas ao desenvolvimento de vacinas e novas gerações de medicamentos.

A infecção é provocada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi, cuja transmissão para os seres humanos ocorre por meio das fezes eliminadas por insetos triatomíneos infectados, conhecidos popularmente em diferentes regiões do país como “barbeiros”, logo após o ato da picada.

A Organização Sanitária ressalta que a infecção possui comportamento essencialmente silencioso em suas etapas iniciais. Os sintomas clínicos graves costumam manifestar-se décadas após o contato inicial do indivíduo com o vetor. Em suas fases crônicas e severas, a patologia evolui para o comprometimento de órgãos vitais, desencadeando cardiopatias graves — como a cardiomegalia —, além de dilatações anatômicas crônicas no aparelho digestivo, caracterizadas pelo surgimento do megacólon (intestino) e do megaesôfago.

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