Anvisa fixa preço máximo para caneta de ‘Ozempic brasileiro’

Desenvolvida pela EMS, caneta emagrecedora Ozivy teve teto estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos

Por Fhagner Soares, ContilNet 30/05/2026 às 12:39
Câmara de Medicamentos da Anvisa equiparou teto do Ozivy ao valor cobrado pelas marcas importadas Ozempic e Wegovy/ Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu o teto de preço que poderá ser cobrado pela caneta emagrecedora brasileira Ozivy. O medicamento, desenvolvido à base de semaglutida pelo laboratório farmacêutico nacional EMS, teve o seu preço máximo de venda ao governo e a distribuidoras fixado em R$ 1.077,79 valor calculado antes da incidência de impostos estaduais.

O patamar financeiro estabelecido repete exatamente o mesmo teto estipulado para os medicamentos importados concorrentes Ozempic e Wegovy, da dinamarquesa Novo Nordisk, considerando as apresentações em canetas de 1,5 ml.

Na prática, o valor final cobrado do consumidor nas farmácias brasileiras será superior e apresentará variações regionais, a depender das diferentes alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) adotadas por cada estado da Federação.

Batizado comercialmente de Ozivy, o remédio utiliza o mesmo princípio ativo que consagrou o Ozempic no mercado global de controle de peso e tratamento metabólico. A fabricante dinamarquesa perdeu a exclusividade de exploração comercial e a patente da fórmula no mercado brasileiro em março deste ano, abrindo caminho para a concorrência nacional.

O pedido de registro do produto nacional havia sido protocolado pela EMS junto à Anvisa ainda em 2023. A aprovação final da licença sanitária ocorreu nesta semana, após a equipe técnica da agência atestar os relatórios de equivalência, eficácia clínica, segurança biológica e controle de qualidade industrial.

Uma vez chancelado o registro, a responsabilidade de calcular o impacto financeiro passou para a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), braço interministerial e órgão da Anvisa encarregado de coibir abusos econômicos no setor farmacêutico.

A Cmed enquadrou o Ozivy na chamada “categoria 4”, que estipula regras para novas apresentações de remédios cujos princípios ativos já possuem similares estabelecidos no país. Sob esse critério regulatório, o produto genérico brasileiro foi submetido ao mesmo teto tarifário das marcas pioneiras que já circulavam nas redes varejistas.

O novo medicamento obteve aprovação regulatória formal para o tratamento de pacientes adultos diagnosticados com diabetes mellitus tipo 2. A indicação clínica prevê o uso associado a rotinas de reeducação dietética, prática de exercícios físicos orientados ou em combinação com outros fármacos hipoglicemiantes. O modelo de comercialização se dará em canetas aplicadoras de uso injetável semanal.

Apesar de compartilhar a mesma molécula de semaglutida, o produto da EMS guarda uma diferença técnica crucial em relação ao concorrente estrangeiro no que diz respeito à logística doméstica e conservação.

Ao contrário do Ozempic — que pode ser mantido em temperatura ambiente por até seis semanas após a primeira aplicação —, o Ozivy brasileiro exige refrigeração rigorosa e ininterrupta durante todo o período de utilização pelo paciente. O medicamento deve ser guardado obrigatoriamente no interior de geladeiras, sob temperaturas que variem estritamente entre 2°C e 8°C, sob o risco de perda de estabilidade e eficácia do princípio ativo.

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