Banco Central eleva projeção do PIB para 2% e vê inflação acima do teto em 2026

Relatório aponta que tensão no Oriente Médio e risco de super El Niño pressionam preços

Por Fhagner Soares, ContilNet 25/06/2026 às 06:29
Economia ganha fôlego com desempenho da agropecuária e da indústria extrativa/ Foto: Reprodução

O Banco Central (BC) revisou, nesta quinta-feira (25), as suas estimativas para o desempenho da atividade econômica e para o comportamento dos preços no país. De acordo com o Relatório de Política Monetária (RPM), a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026 subiu de 1,6% para 2%. Em contrapartida, a autoridade monetária elevou a previsão para a inflação oficial acumulada neste ano, que passou a ser estimada em 5,2%.

Os novos cálculos foram influenciados pela persistência das incertezas geopolíticas decorrentes da guerra no Oriente Médio, que envolve Irã, Estados Unidos e Israel, com impactos diretos nas cotações internacionais do petróleo. Internamente, o BC detectou um ritmo de atividade mais forte do que o esperado em setores-chave, além de acender o sinal de alerta para a possibilidade de um fenômeno super El Niño, fator que tende a encarecer os alimentos.

A melhora na expectativa do PIB decorre, principalmente, do dinamismo registrado na agropecuária e na indústria extrativa. Mesmo diante de uma política monetária considerada contracionista — voltada a conter o consumo por meio de juros elevados — e com baixo nível de ociosidade na produção, o Banco Central projeta uma expansão moderada para o trimestre em curso e para o segundo semestre.

Com o resultado de 2% projetado pelo BC, a autoridade monetária mostra-se mais otimista do que os analistas do setor privado. O Relatório Focus mais recente, divulgado na última segunda-feira (22), fixou a expectativa de crescimento econômico para este ano em 1,98%, seguida de 1,70% para 2027 e de 2% para 2028. O Governo Federal, por sua vez, trabalha com uma previsão ainda mais alta, estimando uma expansão de 2,3% para o PIB de 2026.

A nova estimativa de 5,2% para a inflação coloca o indicador acima do limite superior do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%. O Banco Central projeta que o índice deve acelerar até o encerramento deste ano, permanecendo por mais de dois trimestres consecutivos acima do teto antes de iniciar uma trajetória de declínio ao longo de 2027.

“Nas projeções do cenário de referência, a inflação sobe até o fim de 2026, ficando mais de dois trimestres consecutivos acima do limite superior do intervalo de tolerância (4,5%) ao redor da meta de inflação, e volta a diminuir em 2027”, apontou o texto da autoridade monetária.

Para conter a escalada dos preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) mantém os juros em patamar restritivo. Na última reunião, encerrada no dia 17 de junho, o colegiado promoveu um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica da economia, fixando a Selic em 14,25% ao ano.

A divulgação realizada nesta quinta-feira consolida a substituição do antigo Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que passou a se chamar oficialmente Relatório de Política Monetária. A alteração no nome foi anunciada no ano passado com o objetivo de alinhar as publicações do Banco Central do Brasil aos padrões e práticas de comunicação adotados por outros bancos centrais internacionais.

O formato técnico do documento permanece idêntico, reunindo o histórico das decisões do Copom, o balanço da nova sistemática de metas e as análises sobre o cenário macroeconômico global e doméstico. Pela regra vigente, o BC deve publicar o relatório até o último dia útil de cada trimestre. A edição anterior havia sido veiculada em 26 de março.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.