Brasil fica em 75º lugar em estudo global sobre impunidade institucional

Estudo avaliou o cumprimento de leis e respeito aos direitos humanos em 172 nações

Por Fhagner Soares, ContilNet 30/06/2026 às 13:50
Área de segurança pública brasileira obteve a pior nota do país no levantamento/ Foto: Reprodução

O Brasil ocupa a 75ª posição em um ranking global de 172 países que avalia o nível de abuso de poder sem responsabilização jurídica, institucional ou social. Os dados constam no Atlas da Impunidade, relatório divulgado na última segunda-feira (29) pela Eurasia Group, consultoria internacional especializada em análise de risco político e econômico.

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O estudo utiliza um sistema de mensuração que varia de 0 a 100 pontos, estabelecendo que, quanto maior a nota obtida pela nação, mais elevados são os índices de impunidade identificados no território. O Brasil registrou uma pontuação geral de 42,76. O levantamento avalia o cenário global a partir de cinco dimensões estruturais: conflito e violência, exploração econômica, governança sem responsabilização, violações de direitos humanos e degradação ambiental.

O diagnóstico mais crítico para o cenário brasileiro concentra-se na área de conflito e violência. Nesse indicador específico, o país despencou para a 19ª pior colocação do mundo, atingindo a marca de 61,09 pontos. Por outro lado, o desempenho menos severo foi verificado na dimensão de degradação ambiental, na qual o território nacional figura no 155º posto, com 36,80 pontos.

Nas demais frentes de monitoramento da Eurasia Group, o Brasil manteve um padrão intermediário de pontuação:

  • Governança sem responsabilização: 113º lugar (39,57 pontos).

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  • Exploração econômica: 86ª colocação (39,96 pontos).

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  • Violações de direitos humanos: 81º posto (36,37 pontos).

Os pesquisadores e analistas do relatório pontuam que a ausência ou ineficácia de ferramentas de controle e fiscalização do Estado compõe o principal vetor da impunidade sistêmica global. A Eurasia destaca que o enfraquecimento contínuo das liberdades civis, da cultura de estabilidade democrática e, fundamentalmente, da atuação da imprensa livre atua de forma direta para o agravamento desse quadro nos últimos anos.

De acordo com o documento, o retrocesso na liberdade de imprensa representou a queda mais expressiva entre todas as variáveis avaliadas eletronicamente. Os autores argumentam que tal processo degrada as fontes de informação de interesse público e impossibilita que a sociedade conteste desvios no uso do poder.

Em uma análise retrospectiva, a nota geral do Brasil vem registrando um recuo gradual na escala de impunidade, embora as posições oscilem. No ano de 2020, o país contabilizava 44,53 pontos. O índice subiu para 44,86 em 2022 e recuou para os atuais 42,76 refletidos no consolidado mais recente. No mesmo intervalo histórico, a representação brasileira no ranking global alternou entre a 61ª e a 75ª posição. O relatório adverte que a divergência na responsabilização mundial está se expandindo, o que evidencia um distanciamento cada vez maior entre as nações mais transparentes e as mais impunes.

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