Cacique Raoni passa por cirurgia no intestino na tarde deste sábado

Líder indígena está internado em UTI devido a quadro de obstrução intestinal, desidratação e pneumonia

Por Fhagner Soares, ContilNet 20/06/2026 às 12:51
Boletim do Hospital São Paulo aponta que líder respira sem aparelhos na UTI/ Fiti: Reprodução

O líder indígena cacique Raoni Metuktire será submetido a um procedimento cirúrgico na tarde deste sábado (20) para desobstruir o intestino. A informação foi confirmada pela equipe médica do Hospital São Paulo, instituição de saúde localizada na capital paulista onde o ativista ambiental encontra-se internado desde a última sexta-feira (19).

O diagnóstico de obstrução intestinal já havia sido apontado nos relatórios clínicos anteriores. De acordo com o boletim médico divulgado nesta tarde, o quadro geral de Raoni é considerado grave, porém estável. Além das complicações no sistema digestório, o paciente foi diagnosticado com desidratação e pneumonia aspirativa. O boletim detalha que o cacique passou a noite sem picos febris e respira de forma espontânea, sem a necessidade de suporte de aparelhos, sob tratamento com antibióticos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A intervenção cirúrgica na capital paulista já era avaliada como alternativa terapêutica desde o primeiro período de internação do líder indígena no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, no município de Sinop, localizado na região norte do estado de Mato Grosso. A necessidade de suporte de alta complexidade motivou a transferência logística de Raoni para a estrutura hospitalar paulista.

O quadro de indisposição do líder começou a se manifestar no último domingo (14), ainda em território mato-grossense, quando ele deu entrada na unidade local queixando-se de episódios frequentes de vômito, tosse intensa e fortes dores na região abdominal. Diante da persistência dos sintomas e do risco de agravamento das funções respiratórias e intestinais, a junta médica optou pelo deslocamento interestadual.

Aos 96 anos, Raoni Metuktire é reconhecido internacionalmente como uma das principais vozes globais na articulação política em defesa dos direitos dos povos originários e da preservação da floresta amazônica. A relevância de sua trajetória histórica rendeu-lhe indicações formais ao Prêmio Nobel da Paz no ano de 2020.

Em 2021, o líder da etnia Caiapó recebeu o título oficializado de Membro Honorário da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), em reconhecimento às décadas de expedições e campanhas diplomáticas promovidas junto a chefes de Estado em todo o mundo contra o desmatamento nas terras indígenas brasileiras.

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