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Cão resgatado contraria eutanásia e é adotado após cem dias internado

Por Fhagner Soares, ContilNet 04/07/2026 às 12:55
Cão resgatado contraria eutanásia e é adotado após cem dias internado

Internação de mais de três meses foi necessária para garantir a cicatrização dos tecidos/ Foto: Reprodução

O resgate de um cão em estado de extrema debilitação física no município de Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), mobilizou protetores e transformou o destino de um animal que havia sido condenado à morte. Encontrado com uma severa infestação de larvas e bicheiras que destruíram parte de sua estrutura facial, o cachorro, batizado de Coragem, sobreviveu a um prognóstico inicial que apontava a eutanásia como a única saída viável devido à gravidade das lesões.

O bicho foi localizado pela protetora de animais Maria Eduarda após um chamado de emergência. Na clínica veterinária, a equipe médica suspeitou que o ferimento pudesse ter sido causado por um ataque de outro animal, picada de cobra ou disparo de arma de fogo. Diante do quadro crítico e da avaliação de que a sobrevivência resultaria em sequelas graves, o sacrifício foi recomendado. A protetora, contudo, optou por custear o tratamento e testar a resistência do animal.

O processo de reabilitação clínica estendeu-se por cerca de 100 dias de internação hospitalar sob monitoramento profissional contínuo. Ao longo desse período, o cão foi submetido a três intervenções cirúrgicas complexas de caráter reconstrutivo na região do rosto. Embora os procedimentos cirúrgicos não tenham restaurado integralmente a anatomia original do focinho, as operações garantiram a funcionalidade respiratória e alimentar do animal.

Cão resgatado contraria eutanásia e é adotado após cem dias internado

Protetora gaúcha recusou o sacrifício de animal que apresentava grave infecção na face/ Foto: Reprodução

Maria Eduarda relata que, no primeiro dia de internação, ouviu de um dos veterinários que o cão seria o “maior problema” de sua vida caso resistisse. Após a alta médica, o comportamento do animal surpreendeu os cuidadores, mostrando-se dócil, ativo e adaptado à perda parcial de tecido facial, sem apresentar sinais de sofrimento contínuo ou restrições severas em sua rotina.

A divulgação da história de superação do cão nas redes sociais chamou a atenção de uma moradora de São Paulo (SP). Motivada pela coincidência entre a data do resgate do animal — ocorrido em um dia 20 de dezembro — e o seu aniversário de casamento, a mulher decidiu iniciar as tratativas para a adoção definitiva após consultar o marido e buscar aconselhamento familiar.

Para efetivar o acolhimento e evitar o estresse do animal em serviços de frete ou transporte de carga terceirizados, o casal paulista viajou de carro de São Paulo até o Rio Grande do Sul. Atualmente, o cão reside com os novos tutores na capital paulista, onde recebe acompanhamento pós-operatório preventivo. O desfecho do caso é apontado por entidades de proteção animal como um exemplo prático contra o sacrifício precoce de animais mutilados.

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