O projeto Cine Beira-Rio realiza, no fim da tarde deste sábado (16), uma sessão especial de cinema voltada para os moradores do Ramal Beira-Rio, na comunidade do Judia, em Rio Branco. O evento cultural itinerante está marcado para começar às 17h30, na Casa de Farinha da localidade, e é aberto ao público em geral.
A exibição de hoje dá sequĂŞncia ao cronograma do projeto, que na noite de sexta-feira (15) esteve na Casa do Chico Monteiro, no projeto Bela Vista. Utilizando um batelĂŁo que parte do porto da catraia, no Segundo Distrito da capital, a iniciativa percorre o Rio Acre com o objetivo de difundir produções audiovisuais locais em áreas ribeirinhas de difĂcil acesso. O projeto foi aprovado pelo Fundo Estadual de Cultura 2025 e Ă© executado pela organização Ciranda – Cultura e Meio Ambiente.
Para a sessão de hoje na comunidade do Judia, a equipe técnica estruturou uma sala de cinema a céu aberto, equipada com projetor, sistema de sonorização, cadeiras para os espectadores e distribuição gratuita de pipoca. A mostra cinematográfica tem duração estimada de uma hora e meia e reúne curtas-metragens e documentários de realizadores acreanos.
A programação foi dividida em blocos temáticos. O segmento infantil apresenta as animações “Sementes”, dirigida por Isabelle Amsterdam, e “Clarinha e o Boto”, do ilustrador Enilson Amorim. Para o público adulto, a seleção priorizou obras que debatem a identidade amazônica e a memória regional, com a exibição dos documentários “Mercado de Histórias” e “Ponte de Memórias”, ambos assinados por Alcinethe Damasceno, além das produções ficcionais e documentais “O Profeta do Acre”, de Fabiana Júlia, e “As Princesas das Limeiras e o triste Zé Bedeu”, de Silvio Margarido.
AlĂ©m da difusĂŁo cultural, o evento deste sábado integra atividades práticas voltadas Ă sustentabilidade ecolĂłgica das margens do Rio Acre. Em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), os organizadores promovem o plantio de mudas de árvores nativas, como açaĂ, andiroba e copaĂba, nos pontos de parada da embarcação, visando conter o assoreamento dos mananciais e mitigar os impactos do desmatamento.
De acordo com a coordenação do projeto, os encontros comunitários tambĂ©m sĂŁo utilizados para pautar debates sobre a poluição hĂdrica e os efeitos de eventos climáticos extremos que prejudicam pescadores e pequenos agricultores da regiĂŁo. A produção estipulou o recolhimento rigoroso de todos os resĂduos sĂłlidos gerados durante a sessĂŁo na Casa de Farinha.
A coordenação geral do Cine Beira-Rio Ă© liderada pela cineasta e roteirista Alcinethe Damasceno. Para atrair os moradores ao longo do trajeto fluvial, o batelĂŁo foi adaptado com a “Rádio da Alegria”, um sistema de alto-falantes que transmite avisos sonoros e canções ribeirinhas.
A equipe responsável pela viabilização logĂstica une tĂ©cnicos do setor cultural e lideranças locais, incluindo AntĂ´nio Viana, catraieiro do porto da Seis de Agosto; JosĂ© Carlos Mendes, o “Gordo”, articulador comunitário; e Djanira Soares, conhecida como Dona Deja, agricultora e feirante local. O corpo tĂ©cnico de produção conta ainda com o apoio de Ana Lis, TuĂŁ Victor, Soraya Montenegro, Rafael Dias, Milena e Maria Meirelles.



