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Coach que superou câncer morre após ritual com substância kambo

Por Redação ContilNet 01/06/2026 às 05:57
Coach que superou câncer morre após ritual com substância kambo

Kristian Trend aplicou secreção de anfíbio sobre queimaduras na pele; mãe da vítima pede providências para barrar novos casos/ Foto: Reprodução

O coach Kristian Trend, de 40 anos, morreu no Reino Unido após se submeter a um ritual de “desintoxicação” utilizando kambo. A prática envolve o uso de uma substância tóxica extraída da secreção cutânea da rã-folha-gigante amazônica, espécie anfíbia também conhecida popularmente como rã-macaco-gigante.

O óbito ocorreu no mês passado e gerou repercussão na comunidade britânica em razão do histórico pessoal da vítima. De acordo com os relatos compartilhados por seus familiares, Trend havia superado recentemente um linfoma de Burkitt, um tipo considerado altamente agressivo de câncer no sangue. Após obter a cura da patologia, ele passou a se dedicar de forma intensa a terapias holísticas e a rituais espirituais voltados ao bem-estar e à longevidade.

O ritual com o kambo é uma prática tradicionalmente realizada por povos indígenas na região da Amazônia. O procedimento consiste na aplicação direta da secreção animal sobre pequenas queimaduras superficiais produzidas na pele do participante.

Antes de receber a toxina, as diretrizes da terapia alternativa preveem que o indivíduo ingira uma grande quantidade de água. A introdução da substância na corrente sanguínea provoca reações físicas imediatas e severas, tais como episódios intensos de vômitos e diarreia. Os adeptos realizam o processo sob a crença de que os sintomas operam uma espécie de “limpeza” e purificação profunda do organismo.

Apesar da disseminação do kambo em círculos de medicina alternativa na Europa e nas Américas, a comunidade médica adverte que não existem evidências científicas que comprovem qualquer benefício do veneno do anfíbio para a saúde humana.

Pelo contrário, toxicologistas e autoridades sanitárias apontam riscos de extrema gravidade associados à exposição aos peptídeos da rã. Entre as complicações clínicas catalogadas estão convulsões, insuficiência hepática aguda, ataques cardíacos, disfunções neurológicas severas e episódios de morte súbita cardíaca.

Em entrevista concedida ao jornal britânico The Telegraph, a mãe do coach, Angie, relatou que o filho estava convencido de que passava por um processo legítimo de purificação espiritual. Diante do desfecho trágico, ela manifestou o desejo de que órgãos regulatórios adotem medidas restritivas e de fiscalização para evitar que novos casos de intoxicação ocorram no país.

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