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Conheça Kelce Nayra, professora que assumiu a Educação de Rio Branco

Por Maria Fernanda Arival, ContilNet Fonte: Maria Fernanda Arival, ContilNet 26/04/2026 às 14:15
Kelce Nayra é a nova secretária de Educação de Rio Branco

Kelce Nayra é a nova secretária de Educação de Rio Branco/Foto: ContilNet

Com mais de duas décadas dedicadas ao ensino, a nova secretária municipal de Educação, Kelce Nayra, traz na bagagem uma trajetória que une a vivência na iniciativa privada aos anos de serviço público em Rio Branco.

Ela carrega a educação no DNA: filha e irmã de professores, Kelce Nayra assumiu o desafio de gerir a pasta com foco em resultados práticos. Em entrevista ao ContilNet, ela detalha sua formação, os desafios de motivar alunos em sala de aula e como sua experiência acadêmica em Linguagem e Identidade molda seu olhar sobre as políticas públicas para a capital.

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A secretária é natural de Rio Branco, mas cresceu em Sena Madureira. Kelce é filha dos professores Nazaré Guedes e Deusdethe Menezes. Além disso, é irmã da também professora Nayra Claudinne, que atua no estado de Goiás.

Quem é Kelce Nayra?

Kelce Nayra é professora, mestre em Letras e servidora pública municipal. Ela tem trajetória consolidada na área educacional, com cerca de 25 anos de experiência, sobretudo no ensino superior.

Graduada em Letras Português pela Universidade Federal do Acre em 2000, ela também possui especialização em Língua Portuguesa e Ensino e mestrado em Letras, com foco em Linguagem e Identidade, concluído em 2009.

Kelce Nayra tem mais de 20 anos de experiência na Educação

Kelce Nayra tem mais de 20 anos de experiência na Educação/Foto: Cedida

Ao longo da carreira, atuou como professora substituta na própria UFAC e lecionou disciplinas ligadas à linguagem, produção textual e metodologia científica em instituições como a Faculdade da Amazônia Ocidental (FAAO) e a Faculdade Meta (FAMETA).

Antes de assumir a pasta da Educação, Kelce Nayra integrava o quadro da Prefeitura de Rio Branco, especialmente na elaboração de documentos oficiais, além de ministrar cursos de capacitação para servidores em temas como redação oficial e oratória.

Confira a entrevista com a nova secretária de Educação de Rio Branco

 

Como foi sua primeira conexão com a educação? Quando a senhora viu que isso seria sua profissão?

Kelce Nayra: Primeiro foi em casa. Esse incentivo, na verdade, foi algo muito espontâneo, porque a minha mãe e o meu pai nunca chegaram e falaram ‘ah, você tem que ser professora’. 

De início, eu gostaria de ter feito Comunicação Social, porque eu sempre fui muito articulada, muito falante. E na época não tinha aqui, nem na Ufac, nem em outra instituição — nem havia outra instituição privada.

E aí eu falei: ‘bom, o que está mais próximo de Comunicação Social é Letras-Português, e depois eu vou para Comunicação Social quando aparecer’. E quem disse que eu fui? Me apaixonei por Letras e, desde então, faço esse trabalho.

Antes de vir para a SEME (Secretaria Municipal de Educação), eu estava atuando na SMGA (Secretaria Municipal de Gestão Administrativa) com os servidores, com cursos de redação oficial, oratória, atualização em língua portuguesa. Então, desde sempre, na verdade, eu já caminhei por esse viés aí.”

A senhora falou dos seus pais, da sua irmã, então, a senhora tem eles como inspiração?

Kelce Nayra: “Exatamente. Como inspiração. Esses dias mesmo eu fui em uma loja e a moça falou: ‘A senhora é filha da professora de português Nazaré?’. Eu falei: ‘Sou’. ‘Ai meu Deus, minha melhor professora!’.

Então assim, minha mãe é muito reconhecida pelo trabalho que faz. Meu pai também era muito reconhecido. E dentro de casa eu tive essa vivência de aulas. Minha mãe, mesmo atuando no público, sempre foi procurada para dar aula particular de português — até hoje.

 

Ela está com 75 anos e até hoje as pessoas têm como referência. Ela é muito articulada, corrige trabalhos… Então eu sempre tive ela como referência. Minha irmã, sou suspeita para falar… Minha irmã, eu costumo dizer para ela que ela é uma sumidade da educação, uma pessoa que se dedica muito também a essa área.

A senhora comentou que já passou por diversas etapas da educação, tanto no ensino básico como no superior. Qual foi o maior desafio que a senhora enfrentou dentro de uma sala de aula e como isso molda a sua visão como secretária hoje?

Kelce Nayra: O maior desafio foi encontrar uma forma de fazer com que o meu aluno gostasse daquilo que eu estava ali ensinando. Então, eu sempre procurei dar uma aula dinâmica. Eu gosto muito de contextualizar as minhas aulas, de trazer o aluno para a realidade dele. Porque não adianta você simplesmente abrir um livro, abrir uma apostila e falar ‘olha, lê’. Se ele não se identificar com aquilo que ele está vivendo, aquilo ali não vai servir muito.

Então eu sempre procurei trazer exemplos do dia a dia, e isso é muito interessante porque o aluno que não está ali focado, ele tende a achar que você desvirtuou o objetivo da aula, mas não, você está contextualizando. Isso aproxima o aluno daquele conteúdo.

Isso é muito bom ser empregado aqui na educação também. Nós precisamos trazer as nossas crianças para mais próximo daquilo que elas vivenciam. Eu costumo dizer que os livros didáticos às vezes trazem ‘o menino viu a uva’ — um exemplo bem simples — e às vezes aquela criança nem conhece a uva ainda. Então seria muito bom a gente sempre contextualizar para que esse aluno se sinta parte daquilo que ele está aprendendo.”

Secretária tem como foco alfabetização e fortalecimento do EJA

Secretária tem como foco alfabetização e fortalecimento do EJA/Foto: cedida

A senhora pretende trazer essa dinâmica que a senhora tinha dentro de sala de aula para a educação, de maneira geral agora?

Kelce Nayra: Isso, exatamente. Nós temos uma equipe muito boa aqui na SEME. Nossas equipes de Educação Infantil, Educação Especial, Fundamental, EJA… todos os professores e coordenadores aqui são de muita experiência. E a gente já faz esse trabalho de trazer cada vez mais o aluno para próximo da realidade dele por meio de interações diversas, de recursos pedagógicos.

E quais serão as suas prioridades como gestora?

Kelce Nayra: Primeiro a questão da alfabetização. Alfabetização é primordial. Nós temos alguns projetos que o secretário (então secretário) Alisson já estava tocando e a gente vai continuar, por exemplo, o credenciamento das escolas. Temos a questão do IDEB, que este ano a gente já está aguardando a nota, então estamos constantemente trabalhando para buscar essa melhoria. E tudo o que envolve o crescimento do aluno, nós estamos à frente para alcançar.

Além da alfabetização, temos um trabalho muito bonito com a EJA (Educação de Jovens e Adultos) também. Nossa coordenadora de EJA é muito envolvida na causa e estamos fazendo toda essa captação de alunos, essa busca por alunos, porque sabemos que, mesmo já na fase adulta, é muito bom que você consiga alfabetizar a pessoa.

Sobre a questão das creches, é uma busca sempre muito grande, as mães sempre procuram as creches municipais para colocar seus filhos. Como a prefeitura vai trabalhar para ampliar esse número de vagas?

Kelce Nayra: Nós tivemos um avanço muito grande agora, recentemente. Nós tínhamos uma demanda por vagas enorme, mas implementamos um sistema de matrícula a partir deste ano de 2025 e hoje nós temos a realidade. Porque muitas vezes o que acontecia: os pais demandavam por vaga em uma creche em um determinado bairro e em outro. Então você não sabia se era o mesmo pedido ou não.

Hoje, com esse sistema, nós temos condição de saber a demanda real. Então diminuiu muito o número de crianças que ficaram sem a vaga. E a gente está ampliando. Agora tem a creche da Vila Acre que está para começar a funcionar, e nós temos projetos para outras creches também para abrir. Estamos fazendo o levantamento para saber quais as regionais que têm mais necessidade para começar a implementação.

Qual marca a senhora quer deixar futuramente quando encerrar esse ciclo como secretária de educação?

Kelce Nayra: Principalmente que as crianças sejam atendidas da melhor forma, que se sintam acolhidas, que saiam alfabetizadas e preparadas aqui da educação do município para enfrentarem o mundo na outra etapa, no outro segmento, com segurança, sabendo ler e escrever.

Sempre nos voltando para o português, para a matemática, para as questões mais básicas, porque a educação do município oferece a base. Ela prepara o aluno para os outros segmentos. Quando ele sai da nossa rede, ele tem que sair seguro, com condição de ele caminhar nesse outro segmento.

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