A conta de luz dos consumidores do Paraná atendidos pela Copel, em média, 20,51% mais cara a partir desta terça-feira (24). A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou a revisão tarifária periódica da concessionária em um reajuste médio que atinge cerca de 5,32 milhões de imóveis, entre residências, comércios, propriedades rurais e indústrias.
O aumento aprovado ficou mais de quatro vezes acima da inflação medida pelo IPCA (Índice de preços ao consumidor amplo), que deve ficar em 4,9% neste ano.
Para os consumidores de baixa tensão (grupo que reúne a maior parte das residências e pequenos estabelecimentos comerciais) o aumento médio será de 19,85%. Já os consumidores atendidos em alta tensão (como grandes indústrias) terão elevação média de 21,87%.
Na prática, uma família que hoje paga uma conta de R$ 200 por mês passará a desembolsar cerca de R$ 240, enquanto que uma conta de R$ 300 ficará próxima de R$ 360.
Em comunicado, a Copel disse que a revisão tarifária homologada pela Aneel reconheceu investimentos realizados pela distribuidora nos últimos cinco anos e estabeleceu uma Base de Remuneração Regulatória líquida de R$ 19,9 bilhões.
O maior peso na composição da tarifa continua sendo a chamada Parcela A, que reúne custos que não ficam com a distribuidora, como compra de energia, transmissão e encargos setoriais. Esses itens somam R$ 12,2 bilhões, sendo R$ 5 bilhões relativos à compra de energia, R$ 4,6 bilhões em encargos setoriais e R$ 2,44 bilhões referentes à transmissão de energia.
A empresa informou que a atualização da Parcela A e dos componentes financeiros respondeu por uma pressão de 20,19 pontos percentuais sobre a revisão. Já a atualização da Parcela B, que remunera os investimentos e cobre custos operacionais da distribuidora, acrescentou 8,58 pontos percentuais. Houve ainda um diferimento tarifário que reduziu o impacto final em 8,26 pontos percentuais, resultando no aumento médio de 20,51%.
A revisão tarifária periódica ocorre a cada ciclo regulatório definido pela Aneel e difere do reajuste anual das distribuidoras. Nesse processo, a agência revisa a estrutura de custos, investimentos e parâmetros de eficiência da concessionária, definindo a remuneração que poderá ser cobrada dos consumidores nos anos seguintes.
O aumento poderia ter sido ainda maior
A Aneel autorizou um mecanismo conhecido como diferimento tarifário, que funciona como um adiamento de parte dos custos que deveriam ser cobrados imediatamente dos consumidores.
Na prática, uma parcela de cerca de R$ 1,1 bilhão foi postergada para ser recuperada nas tarifas dos próximos anos, reduzindo o impacto imediato da revisão sobre as contas de luz. Segundo o relator do processo, o diretor Fernando Mosna, sem esse mecanismo o reajuste médio teria alcançado 28,77%.
Mediante aplicação da metodologia de quantificação de diferimento constante no regulamento, obteve-se o valor de diferimento de R$ 1,338 bilhão, o que contribuiu com uma atenuação tarifária de 8,26%.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por robsonrodrigues
