Em um espaço historicamente ocupado por homens, Joseline Lima construiu uma trajetória fora do comum. Há 15 anos como coveira no Cemitério São João Batista, em Rio Branco, ela é a única mulher a exercer a função no Acre, e carrega consigo não apenas a responsabilidade do ofício, mas também a quebra de um padrão ainda presente.
De acordo com Joseline, a escolha pela profissão surgiu ainda no concurso público. “Eu vi que era muito diferente e me chamou muita atenção. E aí eu decidi fazer e, graças a Deus, hoje eu estou aqui, né?”, enfatizou.
Desde então, Joseline passou a lidar diariamente com um ambiente que, para muitos, ainda é cercado de tabus. Ao mesmo tempo, enfrenta o desafio silencioso de ocupar um espaço majoritariamente masculino.
A rotina no cemitério também faz parte da vida do filho de Joseline, Cauã, de 13 anos, que acompanha a mãe ocasionalmente. Mesmo sem atuar, ele observa e se inspira. “[Ele] diz que o sonho dele é ser coveiro e seguir que nem a mãe dele. O sonho dele”, contou, orgulhosa.
Para Joseline, o interesse do filho é visto com naturalidade e até como oportunidade de ensinar valores. “Ele acha bonito”, afirmou. “É muito importante ensinar alguma coisa ao filho, mesmo que apenas observando. Óbvio que ele não vai trabalhar, mas ele vai estar acompanhando, né, a mãe. Ainda mais eu, que sou mãe solo.”
O contato frequente com o ambiente fez com que Cauã desenvolvesse uma relação diferente com o espaço. “Ele cresceu muito aqui dentro, nesse ambiente, né? Que é um ambiente estranho para muitos, mas ele não vai ter a visão voltada para o mundo lá fora, mas sim de trabalhar, de crescer, de querer ser alguém”, finalizou.
