Em carta da prisão, Deolane Bezerra alega perseguição e nega elo com o PCC

Influenciadora e advogada afirma que prisão se deve a honorários de R$ 24,5 mil recebidos por vias legais

Por Fhagner Soares, ContilNet 26/05/2026 às 13:03
Deolane Bezerra nega ligação com o PCC em carta escrita na cadeia/ Foto: Reprodução

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, detida na semana passada em uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil sob a suspeita de atuar em um esquema de lavagem de dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), divulgou uma carta manuscrita assinada na penitenciária onde cumpre prisão preventiva. No texto, Deolane classifica sua detenção como fruto de “pura perseguição” decorrente de sua projeção pública, reitera inocência e nega qualquer envolvimento com a estrutura do crime organizado.

O conteúdo do documento foi ditado pela influenciadora de dentro da cela e transcrito por sua irmã, Dayanne Bezerra, que também atua na área jurídica e compõe o núcleo familiar de defesa.

No manifesto, a investigada argumenta que o motivo de sua prisão preventiva repousa exclusivamente sobre o recebimento de R$ 24.500,00, montante que qualifica como honorários advocatícios legítimos obtidos no exercício regular de sua profissão de advogada.

A investigação criminal que culminou no mandado de prisão foi iniciada no ano de 2019. A apuração começou após agentes de segurança penitenciária interceptarem bilhetes manuscritos escondidos no interior de celas da Penitenciária II de Presidente Venceslau, unidade prisional de segurança máxima localizada no interior do estado de São Paulo.

A partir das mensagens cifradas, os investigadores do Ministério Público mapearam a atividade de uma empresa de transportes de cargas sediada em Presidente Venceslau. A suspeita dos promotores de Justiça é que a transportadora operava como uma empresa de fachada utilizada pela cúpula da facção para circular capitais ilícitos.

Segundo o relatório de inteligência financeira do Ministério Público, a empresa realizava transferências e repasses de recursos para contas correntes de terceiros com o objetivo de pulverizar os valores e camuflar a origem do dinheiro do PCC. No cruzamento bancário, os promotores identificaram que duas dessas contas bancárias utilizadas para os depósitos estavam registradas em nome de Deolane Bezerra.

A influenciadora contestou formalmente a vinculação técnica contida no inquérito policial:

“Reitero a minha inocência e deixo claro que estou presa pela quantia de R$ 24.500. Valor depositado em minha conta em espécie, e não pela transportadora mencionada no inquérito. Não sou eu que estou afirmando isso, essa informação está no próprio inquérito. Fui advogada atuante em centenas de processos e nunca sequer estive presente na Penitenciária de Presidente Venceslau”, defendeu-se na carta.

O cerco jurídico contra a influenciadora foi mantido pelas instâncias superiores do Judiciário nos últimos dias. No domingo (24), o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) analisou e negou o pedido de habeas corpus em caráter liminar impetrado pela equipe de advogados de Deolane. O corpo jurídico da defesa informou que aguarda o julgamento definitivo do mérito pelo colegiado paulista e estuda recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A negativa do tribunal estadual ocorreu um dia após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitar um pedido de prisão domiciliar protocolado em favor da ré. No despacho, o ministro considerou que não ficou configurada nenhuma situação de “manifesta ilegalidade” ou abuso de poder no decreto de prisão inicial que justificasse a intervenção da corte máxima do país.

Deolane Bezerra segue recolhida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, unidade prisional situada na região oeste do interior de São Paulo. Na carta, a advogada também rebateu a informação de que possuiria dezenas de CNPJs ativos e reclamou do aparato policial mobilizado no dia de sua captura.

“É mentira que tenho 37 empresas em meu nome. Uma mentira que pode ser facilmente comprovada em uma simples pesquisa na junta comercial. Nunca fui ouvida em mais de 4 anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto na minha casa e presa sem ter a oportunidade de esclarecer os fatos”, concluiu.

Veja a carta na Íntegra:

Em texto ditado à irmã, influenciadora afirma ser vítima de perseguição e diz que dinheiro investigado veio de trabalho lega// Foto: Reprodução

Ministério Público aponta que contas da advogada receberam depósitos vinculados a empresa de fachada do PCC/ Foto: Reprodução

Conteúdo Original / Fonte: Redação ContilNet

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