O programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu na noite deste domingo (24) imagens inéditas que registram o momento exato da prisão da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra pela Polícia Civil de São Paulo. A captura ocorreu no âmbito da Operação Vérnix, deflagrada na última semana, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras ligadas à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os registros audiovisuais revelam a entrada dos agentes de segurança em uma residência de alto padrão localizada dentro de um condomínio de luxo em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. Durante o cumprimento do mandado judicial, a influenciadora aparece na gravação com as mãos levantadas enquanto os policiais realizavam os procedimentos de vistoria e apreensão no imóvel.
Deolane é investigada sob as acusações de lavagem de dinheiro, associação para o tráfico de drogas e suposto vínculo com a facção. De acordo com o relatório do inquérito, ela teria movimentado mais de R$ 140 milhões em suas contas bancárias apenas no último ano. Os investigadores suspeitam que a profissional atuava como uma espécie de “caixa” financeiro do grupo sob monitoramento.
Rastreamento internacional e apoio da Interpol
Os desdobramentos que antecederam a deflagração da operação ocorreram enquanto a influenciadora cumpria uma agenda fora do país. Deolane permaneceu por mais de 20 dias em Roma, na Itália, hospedada em um edifício de alto padrão na região da Piazza di Spagna, onde as diárias são estimadas em valores superiores a R$ 15 mil. O cotidiano em território europeu era compartilhado por ela com frequência nas redes sociais.
A polícia informou que as autoridades brasileiras monitoravam os deslocamentos internacionais da investigada com o suporte operacional da Interpol. A equipe do caso chegou a avaliar a possibilidade jurídica de efetuar a prisão em solo italiano. Contudo, Deolane retornou ao Brasil pouco antes do início da fase ostensiva da operação, sendo detida logo após desembarcar no Aeroporto de São Paulo.
Empresas de fachada e movimentação bancária sob suspeita
Em entrevista concedida ao programa dominical, o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, explicou que organizações criminosas têm recorrido a perfis de grande alcance nas plataformas digitais com o propósito de pulverizar ativos financeiros e dificultar o rastreamento das verbas ilícitas por órgãos de controle.
Análises financeiras produzidas pelos investigadores apontam que R$ 13,6 milhões circularam pelas contas pessoais da advogada entre os anos de 2018 e 2022. Em paralelo, outros R$ 14 milhões teriam sido movimentados por meio de três pessoas jurídicas de propriedade da influenciadora.
A polícia sustenta que a origem dos recursos é considerada “espúria”, visto que a quebra do sigilo bancário não identificou registros de transações compatíveis com receitas de contratos publicitários. O inquérito aponta ainda a existência de empresas de fachada registradas em nome de Deolane em municípios do interior paulista, situados nas proximidades do presídio de Presidente Venceslau. Segundo a apuração, os endereços das firmas eram compartilhados com dezenas de outras empresas classificadas como fantasmas.
Contraponto da defesa e origem dos recursos
A defesa técnica de Deolane Bezerra rejeita as suspeitas levantadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. O advogado Aury Lopes Jr., responsável pela representação legal da influenciadora, afirmou publicamente que sua cliente não mantém qualquer tipo de ligação ou sociedade com a empresa de transportes investigada no processo, tampouco conhece os proprietários da referida companhia.
Durante a realização da audiência de custódia perante o Poder Judiciário, Deolane declarou formalmente que a integralidade dos valores identificados em suas contas bancárias é lícita. Segundo o depoimento da investigada, os montantes são oriundos de pagamentos legítimos por serviços jurídicos prestados no período em que ela exercia a profissão de advogada criminalista. Seus defensores afirmam que todos os valores possuem comprovação documental e foram declarados aos órgãos fiscais.
Veja o vídeo:
