Uma pesquisa de ampla meta-análise constatou que a desigualdade social não afeta apenas renda, escolaridade ou acesso a oportunidades, mas também deixa marcas biológicas no próprio organismo. O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano, na Alemanha, em parceria com a Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. O estudo foi publicado no dia 12 de junho na revista Nature Human Behaviour.
O trabalho mostra que fatores como pobreza, baixa escolaridade, condições precárias de vida e exposição à discriminação racial ou étnica estão consistentemente associados a alterações biológicas que fazem o corpo envelhecer mais rapidamente do que seria esperado para a idade cronológica. Para chegar a esse resultado, o projeto analisou 140 estudos realizados em 23 países, envolvendo 65.919 participantes de diferentes faixas etárias.
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No estudo foram utilizados instrumentos que analisam alterações químicas no DNA que influenciam o funcionamento dos genes e permitem estimar a idade biológica do organismo. Segundo os pesquisadores, os modelos mais modernos são capazes de identificar com maior precisão os impactos de fatores como renda, educação, moradia e acesso a serviços públicos sobre a saúde.
A pesquisa revelou que os efeitos da desigualdade começam ainda na infância, a exemplo disso crianças que crescem em ambientes socialmente vulneráveis já apresentam sinais de envelhecimento biológico mais acelerado. Logo, os impactos persistem também na vida adulta, mesmo décadas após a exposição a condições socioeconômicas desfavoráveis.
Resultados reforçam o peso das condições de vida
Os resultados reforçam a importância dos determinantes sociais da saúde, como condições de moradia, acesso à educação e oportunidades econômicas, na construção da qualidade de vida ao longo dos anos.
Além disso foi identificado diferenças entre grupos raciais e étnicos. Nos Estados Unidos, participantes negros apresentaram envelhecimento biológico mais acelerado do que participantes brancos. Diferenças semelhantes foram observadas entre participantes latinos e brancos, embora em menor intensidade.
De acordo com os autores, esses resultados refletem os efeitos acumulados de desigualdades estruturais, discriminação, estresse crônico e acesso desigual a recursos e oportunidades, e não características raciais em si.
Para os pesquisadores, os relógios epigenéticos podem se tornar ferramentas importantes para avaliar os impactos de políticas públicas voltadas à redução da pobreza, ampliação da educação e melhoria do acesso à saúde.
Embora o estudo não comprove uma relação direta de causa e efeito em todos os casos analisados, os autores afirmam que há um padrão consistente ligando condições sociais desfavoráveis ao envelhecimento biológico acelerado.
Com informações da Revista Galileu
