Uma jovem de 22 anos foi hospitalizada em estado grave na China após desenvolver um quadro de pancreatite aguda decorrente de uma dieta de restrição alimentar extrema. Identificada pelo pseudônimo de Qingqing, a paciente adotou um método no qual consumia apenas 800 calorias por semana, volume significativamente inferior à média diária recomendada para adultos, sob a justificativa de que necessitava perder peso. Ela mede 1,55 m de altura e pesava 55 kg antes de iniciar o processo.
A rotina imposta pela jovem consistia em ingerir, de segunda-feira a sábado, apenas porções reduzidas de legumes cozidos, pedaços de peito de frango e frutas. Aos domingos, contudo, Qingqing realizava um consumo irrestrito de alimentos hipercalóricos e gordurosos, incluindo fondue, frango frito, massas condimentadas e chá com leite. O método resultou na perda de 7,5 kg no período de um mês.
O problema manifestou-se em um domingo, logo após a jovem consumir um balde de frango frito no almoço e duas porções de macarrão apimentado no jantar. Ao apresentar episódios sucessivos de vômito e dores agudas na região do estômago, da cintura e das costas, ela foi levada ao Primeiro Hospital Afiliado da Faculdade de Medicina da Universidade de Zhejiang.
Os exames laboratoriais confirmaram a inflamação severa do pâncreas. Segundo a equipe médica responsável pelo atendimento, o período prolongado de semi-inanição fez com que o órgão reduzisse drasticamente a sua atividade metabólica regular. Ao receber uma sobrecarga súbita de lipídios e carboidratos em uma única refeição, a glândula não conseguiu responder à demanda enzimática, o que desencadeou o processo autodigestivo característico da pancreatite.
“Na tentativa de emagrecer, muitas pessoas fazem apenas uma refeição por dia, acreditando que assim podem ficar mais magras. No entanto, esse método pode facilmente levar o pâncreas ao colapso”, alertou um dos médicos do corpo clínico do hospital em entrevista à imprensa local.
Especialistas em gastroenterologia ressaltam que os sintomas de lesão pancreática — como dores abdominais intensas, náuseas e vômitos — são o resultado de um desgaste cumulativo provocado pela oscilação extrema na ingestão de nutrientes.
No cenário nutricional brasileiro, a prática de liberar o consumo de alimentos calóricos em um dia específico da semana é denominada popularmente como “dia do lixo”. Médicos e nutricionistas apontam que a estratégia de flexibilização, isoladamente, não configura risco à saúde. O perigo epidemiológico reside na associação desse evento a dias prévios de privação severa, o que submete o sistema digestivo e endócrino a estresses metabólicos agudos capazes de induzir falências orgânicas temporárias.

