23/09/2026

“A Universal é pobre”, afirma Edir Macedo em culto

Fundador da instituição declarou que liderança 'continua pobre' enquanto atua para enriquecer seguidores

Por Fhagner Soares, ContilNetAtualizado
Bispo sustentou em gravação que cúpula se sacrifica para garantir o enriquecimento material dos membros da igreja/ Foto: Reprodução

O fundador e líder máximo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), bispo Edir Macedo, gerou forte repercussão e controvérsia nas plataformas digitais após a divulgação de um vídeo recente. Na gravação, o religioso direciona-se diretamente ao corpo de membros da instituição para afirmar que os fiéis encontram-se em situação de “dívida” com a liderança eclesiástica.

De acordo com a tese exposta pelo bispo no material audiovisual, a cúpula diretiva da Universal mantém-se em uma condição de “pobreza” relativa, sob o argumento de que os pastores e bispos sacrificam suas próprias condições materiais com o objetivo exclusivo de promover a prosperidade financeira e o enriquecimento dos seguidores da igreja.

As declarações de Macedo provocaram reações imediatas de teólogos, sociólogos e críticos da atuação das denominações neopentecostais no Brasil. O cerne dos questionamentos aponta para uma contradição entre o discurso de escassez proferido pelo líder e a realidade patrimonial da organização religiosa.

Contraste com patrimônio bilionário e estrutura midiática

A menção à suposta pobreza da liderança da IURD contrasta com os indicadores econômicos do conglomerado administrado por Edir Macedo. A instituição centraliza o comando de uma das maiores estruturas de arrecadação do país, que engloba redes de televisão aberta, operadoras de mídia, frotas de jatos privados executivos, extensas propriedades rurais com fazendas produtivas e templos de grandes proporções arquitetônicas, a exemplo do Templo de Salomão, localizado na capital paulista.

Críticos do modelo da Teologia da Prosperidade — linha doutrinária que associa o sacrifício financeiro e as doações à obtenção de bênçãos divinas — classificaram o pronunciamento do bispo como uma cobrança desmedida direcionada à classe trabalhadora, que compõe a base piramidal de fiéis da Universal. A abordagem foi interpretada por opositores como uma estratégia para constranger o público e impulsionar a arrecadação de dízimos e ofertas, utilizando a vulnerabilidade socioeconômica e a fé dos frequentadores como ferramentas de pressão administrativa.

Até o momento da publicação desta reportagem, a assessoria de imprensa institucional da Igreja Universal do Reino de Deus não havia emitido uma nota oficial para contextualizar o trecho do vídeo ou detalhar a interpretação teológica das palavras de Edir Macedo.

Veja o vídeo: 

Conteúdo Original / Fonte: Redação ContilNet

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