Eleição no México poderá trazer mais impacto aos EUA do que ao Brasil

Presidência de Claudia Sheinbaum poderá ser pauta das eleições dos EUA, que acontecem no fim deste ano

Por Marina, ContilNet 04/06/2024 às 07:36
Hector Vivas/Getty Images

A eleição de Claudia Sheinbaum para a presidência do México poderá impactar ainda mais a relação do país com os Estados Unidos (EUA). As tratativas com o Brasil, segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, deverão continuar semelhantes aos moldes atuais, estabelecidos pelo atual mandatário mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O posicionamento de Sheinbaum é mais de centro-esquerda, enquanto os Estados Unidos poderão dar uma guinada à direita nas eleições presidenciais do fim do ano. “Um ponto sensível para os Estados Unidos é a imigração. Imagino que, a partir de agora, com a definição das eleições mexicanas, as norte-americanas devem engatar mais em discussões sobre isso, considerando a perspectiva da agora nova presidente do México”, apontou Rodrigo Gallo, cientista político e coordenador de Relações Internacionais no Instituto Mauá de Tecnologia.

“Creio que [Joe] Biden poderá engrossar o discurso sobre o tema, inclusive, como forma de minimizar as críticas feitas pela oposição”, explicou Gallo.

Hector Vivas/Getty Images

Ana Carolina Marson, doutora e professora de relações internacionais na Universidade São Judas Tadeu, citou a possibilidade de vitória do ex-presidente Donald Trump nas urnas norte-americanas. “Ele tem grandes chances de ganhar, porque a população está muito insatisfeita com o Biden e ele vem perdendo eleitores jovens e muçulmanos”, disse.

Para ela, a volta de Trump complicaria ainda mais a relação do país com o México, tanto pelo discurso do ex-presidente sobre a construção de um muro entre os países quanto pelo seu “histórico machista” ao lidar com uma presidente mulher.

Já com o Brasil, Sheinbaum deverá escolher por manter o cenário como está. “A relação com López Obrador era boa para o Brasil, um governo de esquerda ou centro-esquerda. Se ela for se manter mais progressista ou perto das ideias dele, a gente pode esperar poucas mudanças, vamos ter uma certa continuidade e um bom relacionamento entre os dois países”, afirmou Leonardo Paz Neves, pesquisador do Núcleo de Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Mulheres eleitas

A eleição de Sheinbaum , segundo Marson, “é importante, porque na América Latina tivemos países com presidentes mulheres, mas não é algo recorrente. É um movimento importante, ainda mais com o retorno da onda conservadora no mundo todo”.

“Um país culturalmente machista como o México conseguir eleger uma mulher presidente — na verdade, as duas candidatas principais eram mulheres — isso faz com que barreiras sejam quebradas em outros países e sociedades. Começam a ver que mulheres estão chegando ao topo do poder e as coisas estão funcionando como poderiam funcionar e tem chance de ser mais um marco que dá força à luta de igualdade de gênero”, apontou Paz Neves.

Já Gallo propôs que a presidente eleita consiga “um ministério mais plural e diverso. Seria uma importante sinalização, principalmente se considerarmos os índices de feminicídio no México e na América Latina como um todo”.

Conteúdo Original / Fonte: Metrópoles

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