Em nota, BRB nega gerência em esquema investigado pelo MP

Alvo da Operação Juros Zero, banco diz cumprir legislação de consignados

Por Fhagner Soares, ContilNet 19/06/2026 às 13:14
Em nota, banco público do DF afirma que cumpre margens de crédito por lei/ Foto: Reprodução

O Banco de Brasília (BRB) divulgou nota oficializada para se posicionar sobre a Operação Juros Zero, deflagrada na manhã desta sexta-feira (19) pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A ação policial investiga uma rede de descontos fraudulentos e irregulares diretamente nos contracheques de servidores públicos do Governo do Distrito Federal (GDF). A instituição financeira rechaçou qualquer tipo de vínculo contratual recente com a empresa de pagamentos PicPay no escopo das apurações.

O posicionamento técnico busca blindar a atual gestão das suspeitas de corrupção sistêmica e estelionato que miram o ecossistema de crédito consignado na capital federal.

“O Banco não exerce ingerência sobre a contratação, as condições financeiras e o relacionamento entre servidor e a PicPay, a instituição de pagamento responsável pela oferta dos serviços. Quanto aos empréstimos consignados firmados diretamente com o banco, o BRB observa rigorosamente as margens e os limites estabelecidos pela legislação”, manifestou a assessoria da companhia.

A engenharia financeira sob investigação do MPDFT aponta para uma articulação multifrontal que envolve o núcleo financeiro e administrativo do quadradinho. Além do BRB e de sua subsidiária BRB Serviços S.A., figuram como alvos formais da incursão de busca e apreensão a Secretaria de Estado de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), a carteira digital PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF).

A defesa do banco argumenta que a BRB Serviços compõe o conglomerado econômico da marca, mas não detém atribuição legal ou operacional no fluxo de lançamento das consignações específicas da PicPay, conforme as regras de repartição de competências fixadas pelo Decreto Distrital nº 46.103/2024. A direção do banco reiterou que os fatos relatados pelos promotores de Justiça não dizem respeito à atual governança executiva da autarquia mista e garantiu colaboração integral com as autoridades judiciais.

Os relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Ministério Público descortinaram métodos agressivos de captação de recursos ilícitos. A apuração penal indica que operadores do esquema se valiam da infraestrutura de dados para capturar senhas eletrônicas e tokens de segurança pessoal dos servidores. De posse das credenciais, o grupo inseria descontos mensais compulsórios sem a autorização expressa dos titulares da conta.

Para burlar os mecanismos de controle interno e as auditorias do GDF, os empréstimos financeiros de juros elevados eram registrados nos sistemas de folha sob códigos de serviços simulados, como falsas prestações de “plano de saúde”. O caso mais alarmante envolve a ASDF, entidade que, segundo os promotores, não dispõe de estrutura logística compatível com o volume financeiro transacionado. Os repasses retidos pela associação saltaram de R$ 3 mil, no balanço de 2023, para R$ 1,49 milhão no encerramento contábil de 2025 — uma expansão de 48.000%.

O Ministério Público do Distrito Federal destaca que empresas privadas como CBBRAZIL, PEAK e VEMCARD teriam operado sob a mesma arquitetura de fraude sistêmica, havendo indícios de que o montante bloqueado nesta manhã represente apenas uma parcela ínfima do volume global desviado. A VEMCARD possui vínculos societários consolidados com o Grupo Fictor, holding empresarial que já figura em investigações criminais associadas ao escândalo financeiro do Banco Master.

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