Março de 2026 marcou um ano desde que a Cidade do México implementou a proibição das touradas que envolvem ferimento ou morte de animais. A medida, que transformou a capital em um território de “espetáculos incruentos”, gerou um efeito dominó no debate nacional. No entanto, o cenário atual do México revela um país dividido: enquanto a capital avançou na proteção animal, a prática continua legal e viva em diversas outras regiões.
O Mapa da Proibição
É fundamental esclarecer que a proibição não possui abrangência nacional. Embora a capital mexicana tenha dado um passo firme em direção ao fim da tortura pública de animais, o México não possui uma lei federal que extinga a tauromaquia.

Quatro estados mexicanos já baniram a prática, mas a tourada persiste como legal em grande parte do território/ Foto: Reprodução
Até agora, apenas quatro estados mexicanos aderiram ao banimento total da prática. Isso cria um contraste geográfico curioso: em estados vizinhos, o público ainda frequenta arenas onde a morte do touro é o ponto alto do espetáculo, mantendo vivas as regras coloniais trazidas no século 16. Essa fragmentação jurídica reflete a profunda divergência cultural entre o México progressista e o México tradicionalista.
Um Ano de Adaptação e Resistência
Na Cidade do México, a adaptação tem sido tensa. As arenas foram forçadas a migrar para um formato onde o toureiro utiliza apenas a técnica e o capote, sem o uso de espadas ou bandarilhas.
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O lado da preservação: Defensores da cultura taurina argumentam que a proibição na capital ataca a economia rural e a preservação do “Touro de Lide”, uma raça que, segundo eles, deixaria de existir sem a tourada.
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O lado do bem-estar: Entidades de defesa animal celebram o primeiro ano de proibição na capital como uma vitória ética. Para esses grupos, a lei é o início de um processo irreversível de conscientização, que deve pressionar o governo federal a expandir a proibição para todo o país nos próximos anos.
O Tabuleiro Político
O fato de a tourada ser legal em grande parte do território nacional, enquanto está banida na capital, mostra que a batalha pelo bem-estar animal no México está longe de terminar. A questão agora é se o exemplo da Cidade do México será seguido por outros estados ou se o país continuará sendo um território com duas realidades distintas sobre a ética com os animais.
Enquanto a disputa jurídica segue nos tribunais, o espetáculo, que já foi o símbolo máximo de uma nação, hoje vive uma crise de identidade, sendo glorificado em algumas regiões e repudiado em outras.
