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Mais de 50% das vítimas de mortes violentas no país usaram álcool ou drogas

Por Fhagner Soares, ContilNet 25/05/2026 às 13:23
Mais de 50% das vítimas de mortes violentas no país usaram álcool ou drogas

Levantamento divulgado pela Agência Fapesp cruzou laudos periciais de 3.577 óbitos registrados em quatro capitais brasileiras/ Foto: Reprodução

Um estudo inédito desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) aponta que mais da metade das vítimas de mortes violentas no Brasil havia consumido bebidas alcoólicas ou substâncias entorpecentes antes de morrer. Os dados da investigação científica, divulgados pela Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), lançam luz sobre a correlação entre o uso de componentes psicoativos e os índices de criminalidade e acidentes fatais no ambiente urbano nacional.

O levantamento estatístico e laboratorial foi estruturado a partir da análise detalhada de 3.577 óbitos classificados como mortes por causas externas. O monitoramento compreendeu o intervalo entre os meses de março de 2022 e junho de 2024, concentrando as amostragens de dados nos institutos de medicina legal de quatro capitais e suas respectivas regiões metropolitanas: Belém (PA), Recife (PE), Vitória (ES) e Curitiba (PR).

A triagem dos exames toxicológicos revelou que 53% do total de vítimas analisadas apresentavam traços de ao menos uma substância com ação no sistema nervoso central no momento do óbito. No topo do ranking dos componentes químicos identificados pelos peritos, a cocaína figurou como o entorpecente de maior prevalência, sendo detectada em 29,6% das amostras de sangue coletadas.

O álcool posicionou-se na segunda colocação dos registros biológicos, com uma taxa de presença de 27,7% entre os indivíduos vitimados. O relatório científico documentou ainda a incidência de medicamentos da classe dos benzodiazepínicos — psicotrópicos comumente utilizados como ansiolíticos e sedativos — em 6,8% dos casos, seguidos por resquícios de cannabis (maconha), identificados em 2,2% do grupo avaliado.

Os coordenadores e autores do estudo científico argumentam que o mapeamento toxicológico inédito serve como um indicador robusto do impacto real e do peso exercido pelo abuso de álcool e drogas ilícitas na dinâmica de mortalidade precoce da população brasileira.

De acordo com o corpo de pesquisadores da USP, a alta taxa de positividade para substâncias químicas indica que o consumo desses produtos atua como um catalisador de vulnerabilidades, estando frequentemente associado a contextos de violência urbana, homicídios, suicídios e acidentes automobilísticos fatais nas grandes metrópoles do país. A expectativa dos cientistas é que os dados deem subsídios para a formulação de novas políticas públicas de segurança e saúde integradas.

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