EUA alertam que influenciadores na Copa precisam de visto de trabalho

Nota conjunta de órgãos de segurança afirma que gerar renda com conteúdo em solo americano viola visto de turista

Por Redação ContilNet 12/06/2026 às 05:19
Entenda por que Virginia Fonseca e Jon Vlogs estão imunes a novas restrições de vistos nos EUA/ Foto: Reprodução

Uma nova diretriz oficial divulgada pelo governo dos Estados Unidos às vésperas da Copa do Mundo de 2026 acendeu um alerta na comunidade de criadores de conteúdo e influenciadores digitais que desembarcaram no país para cobrir o evento. O comunicado esclarece que a produção de fotos e vídeos com o objetivo de monetização ou geração de receita durante a permanência em território americano configura atividade profissional remunerada, exigindo, portanto, o porte de um visto consular adequado para trabalho.

A determinação consta em nota conjunta emitida pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês) e pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), enviada originalmente ao jornal espanhol El País. No documento técnico, as agências federais detalham as restrições para quem ingressa no país sob o amparo de autorizações de turismo ou programas de isenção de vistos.

“Entrar nos Estados Unidos com o único propósito de criar conteúdo (como influenciador) e, assim, gerar renda a partir dos Estados Unidos enquanto estiver no país é considerado trabalho e exige o visto apropriado”, estabelece o texto normativo das autoridades federais.

O alerta reforça ainda que o recebimento de qualquer tipo de compensação financeira oriunda de fontes pagadoras baseadas nos Estados Unidos, durante o período de estadia do visitante, constitui uma violação direta das condições jurídicas de admissão migratória de viajantes e turistas.

A medida causou apreensão imediata em plataformas digitais e levantou debates sobre a regularidade fiscal e migratória de dezenas de influenciadores brasileiros deslocados para a América do Norte. Entre os nomes citados nas discussões virtuais está o de Virginia Fonseca, que realiza a cobertura dos bastidores do Mundial para o programa Caldeirão com Mion, da TV Globo.

Apesar do ruído provocado em torno de sua participação institucional, a situação jurídica de Virginia Fonseca difere da maior parte dos criadores de conteúdo do Brasil. A influenciadora é nascida em território americano e possui dupla cidadania legalizada, prerrogativa constitucional que a desobriga de portar vistos de negócios ou de turismo e anula o risco de sanções administrativas por exercício de atividade remunerada no país. A empresária não se manifestou publicamente sobre a nova cartilha de Washington.

Outro profissional do setor que comentou a endurecida na fiscalização foi o influenciador Jon Vlogs, também presente na cobertura do torneio esportivo. Em conteúdo audiovisual publicado em suas contas oficiais, ele minimizou o impacto prático da norma sobre o seu núcleo de trabalho e atribuiu o comunicado a uma estratégia de dissuasão do governo americano.

“Eu posso, e não podem deportar quem está junto comigo, porque sou eu que estou gravando. Eu sou americano. Não tem essa, eles só estão querendo assustar”, afirmou o criador de conteúdo, amparando-se também no fato de possuir a cidadania dos Estados Unidos para afastar riscos de repatriação compulsória.

Especialistas em direito internacional e imigração ponderam que, embora cidadãos americanos estejam imunes às regras de deportação, criadores de conteúdo estrangeiros que utilizam redes monetizadas sem a devida documentação laboral (como os vistos das categorias O ou P) ficam expostos a penalidades que incluem o cancelamento do visto de turismo, deportação imediata e impedimento de reentrada no país por até dez anos.

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