Os governos dos Estados Unidos e do Irã costuraram um princípio de acordo emergencial para paralisar os ataques navais no Estreito de Ormuz e garantir o fluxo comercial de navios petroleiros pela região, considerada o principal gargalo energético do planeta. A informação foi revelada por um funcionário do alto escalão da Casa Branca sob condição de anonimato ao jornal The New York Times. Teerã, contudo, ainda não chancelou a validade do pacto publicamente.
De acordo com o relato obtido pelo periódico norte-americano, a gestão de Donald Trump aceitou suspender as incursões aéreas em troca do fim das hostilidades contra embarcações civis. O desenho do memorando de entendimento prevê a realização de debates técnicos nas próximas semanas, embora os negociadores ainda não tenham estipulado o cronograma de reuniões.
Uma segunda autoridade do governo dos EUA confirmou que delegações de Washington e do Irã agendaram um encontro presencial em Doha, no Catar, nesta terça-feira (30), em uma tentativa diplomática de congelar o conflito aberto.
A articulação política ocorre poucas horas após o mais grave confronto direto entre as duas potências desde o início do ano. No sábado (27), caças das Forças Armadas dos EUA realizaram um bombardeio massivo contra posições estratégicas da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) no entorno do Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que a operação foi coordenada por ordem direta de Trump em represália a um ataque iraniano com drones kamikazes contra uma embarcação comercial na quinta-feira (25). A ação de quinta havia violado o cessar-fogo assinado em 7 de abril e fortalecido por um tratado de 14 pontos em 17 de junho.
“Aviões militares dos EUA alvejaram a infraestrutura de vigilância militar iraniana, sistemas de comunicação, instalações de defesa aérea, depósitos de drones e capacidades de lançamento de minas”, detalhou o Centcom, em nota oficial.
A reação do regime de Teerã foi imediata e expandiu o teatro de operações para além da costa iraniana. Na madrugada deste domingo (28), a Guarda Revolucionária Islâmica assumiu a autoria de lançamentos de mísseis contra instalações militares que abrigam tropas dos EUA no Kuwait e no Bahrein, países aliados de Washington no Golfo Pérsico.
Ataques cruzados desse tipo paralisaram o tráfego marítimo regional e elevaram o preço dos contratos futuros de petróleo no mercado internacional. Diplomatas do Catar correm contra o tempo para evitar que a reunião de terça-feira seja cancelada pelo acirramento dos discursos em Washington e Teerã.
