Família de artista morto por bactéria em queijo processa fabricante em R$ 1,4 milhão

Roger Parkes sofreu falência de órgãos após consumir produto contaminado por listeria

Por Fhagner Soares, ContilNet 11/06/2026 às 13:15
Defesa de Roger Parkes exige reparação após perícia comprovar listeria em lote de queijo/ Foto: Reprodução

A família do artista britânico Roger Parkes, que morreu em 2023 aos 59 anos, move uma ação de indenização na Justiça do Reino Unido contra a produtora de laticínios The Old Cheese Room. Os familiares pleiteiam uma reparação financeira de aproximadamente R$ 1,4 milhão (£ 200 mil libras esterlinas) após laudos apontarem que o óbito do homem foi desencadeado pelo consumo de um queijo artesanal contaminado por uma bactéria de alta letalidade.

Parkes contraiu listeriose, uma infecção grave provocada pela bactéria Listeria monocytogenes. O microrganismo possui capacidade de proliferação em alimentos que não passaram por processos rigorosos de pasteurização ou cozimento, sendo rotineiramente detectado em leite cru, queijos de massa mole, embutidos e carnes processadas, além de vegetais crus mal higienizados.

A cronologia do caso revela que o alimento contaminado entrou na rotina do artista de forma despretensiosa. Roger Parkes recebeu uma porção do queijo do tipo Baronet Reblochon —uma especialidade de casca lavada e consistência cremosa— como um presente de Dia dos Namorados comprado por sua esposa.

Auditorias sanitárias subsequentes conduzidas por órgãos de vigilância do Reino Unido confirmaram o nexo causal no lote do laticínio. A perícia técnica concluiu de forma taxativa que o queijo continha níveis de listeria incompatíveis com o consumo humano. O lote foi alvo de um recall emergencial de recolhimento de mercado, mas as autoridades de saúde britânicas confirmaram que pelo menos outras duas pessoas também adoeceram após consumir unidades do mesmo produto.

Embora a The Old Cheese Room tenha admitido publicamente a falha sanitária e a presença da bactéria em suas linhas de processamento, a empresa contesta a autoria jurídica do óbito e recusa-se a pagar a indenização estipulada pela defesa da família.

O embate entre os médicos legistas contratados pela acusação e os peritos indicados pela defesa concentra-se agora nos tribunais britânicos. A corte terá de julgar se a listeriose funcionou como a causa determinante e soberana para a morte ou se o óbito deve ser classificado como uma consequência natural do agravamento das comorbidades preexistentes do artista.

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