‘Fui um idiota’, diz Cleitinho sobre foto com Virginia em comissão que investigou apostas

Senador afirma se arrepender de pedido feito à influenciadora em 2025

Por Fhagner Soares, ContilNet 10/07/2026 às 06:11
Pedido de imagem para familiares feito em maio de 2025 gerou críticas à conduta/ Foto: Reprodução

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) utilizou a sessão plenária do Senado Federal nesta quinta-feira (9) para manifestar arrependimento público por ter solicitado uma fotografia e um vídeo à influenciadora digital Virginia Fonseca. O episódio ocorreu em maio de 2025, durante o depoimento da criadora de conteúdo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, colegiado criado para apurar irregularidades no mercado de jogos de azar e apostas on-line no país.

“Eu não vou nunca ocultar erro, porque quem fica ocultando erro é porque continua no erro. Esse foi um erro que eu tive durante o meu processo de senador aqui dentro do Senado. Foi um erro, fui um idiota de pedir uma foto para minha filha da influenciadora Virginia”, declarou o parlamentar em pronunciamento na tribuna. O caso voltou à tona no momento em que a influenciadora enfrenta um novo desdobramento jurídico, com um pedido ministerial de condenação milionária.

Cleitinho justificou a necessidade de retomar o assunto após cumprir agenda externa na qual foi abordado por um cidadão em tratamento contra a ludopatia (vício em jogos de azar). Segundo o relato do senador, o homem descreveu ter enfrentado a ruína financeira e familiar em decorrência do mercado de apostas virtuais e pontuou que a conduta do congressista na comissão parlamentar causou indignação aos afetados pelo problema.

O parlamentar revelou que, após a repercussão negativa daquela sessão em 2025, encaminhou uma mensagem de áudio diretamente para as redes de Virginia Fonseca. No arquivo, solicitava que a empresária rompesse os contratos de publicidade com as plataformas de apostas eletrônicas. Na época do depoimento, Cleitinho chegou a fazer o apelo publicamente, sugerindo que a depoente focasse a divulgação em seus produtos próprios de cosméticos e suplementação, em vez de atuar como promotora das chamadas “bets”.

Durante o discurso, o senador estendeu as críticas ao próprio Poder Legislativo, atribuindo às duas Casas do Congresso Nacional a responsabilidade técnica pela expansão desenfreada do setor de apostas de quota fixa em território nacional devido à aprovação da regulamentação do mercado.

“O erro maior foi do Congresso, que regulamentou isso. Se não tivesse regulamentado, essa porcaria não estaria acabando com milhares de famílias”, criticou o congressista mineiro. Cleitinho exibiu indicadores estatísticos referentes ao crescimento do volume financeiro transacionado em períodos esportivos de grande porte, como a Copa do Mundo de Clubes, e citou relatórios técnicos sobre o reflexo do vício em jogos nos prontuários de saúde mental e nos custos operacionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Para o senador, o enfrentamento ao setor não deve ser balizado por divisões de espectro político ou ideológico.

A manifestação de Cleitinho coincide com o agravamento da situação jurídica de Virginia Fonseca perante as instâncias de controle. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou uma ação civil pública direcionada à influenciadora e à empresa operadora da plataforma Blaze. A peça jurídica acusa a relação comercial de configurar um “conluio predatório” contra os direitos dos consumidores brasileiros.

No corpo da ação, o órgão ministerial pleiteia a condenação solidária dos réus ao pagamento de indenização por danos morais coletivos estipulada no patamar mínimo de R$ 120 milhões. A tese do Ministério Público sustenta que a ampla capacidade de engajamento e o alcance midiático de Virginia atuaram como um dos pilares de sustentação e expansão da referida casa de apostas em âmbito nacional.

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