Equipes técnicas começaram a executar, na manhã desta quarta-feira (17), o bloqueio físico e a interdição dos acessos à estrutura conhecida como Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo. A ofensiva administrativa foi disparada em caráter de urgência após a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que despencou de uma altura de 40 metros durante a prática de rope jump (salto de corda) no último domingo (14).
A força-tarefa para isolar o local foi pactuada em uma série de reuniões de emergência que envolveram a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), a Advocacia-Geral da União (AGU) e os prefeitos Murilo Félix (Limeira) e Cristina Saad (Cordeirópolis). A meta imediata das autoridades é neutralizar o fluxo de turistas e desportistas na área para extinguir o risco de novas ocorrências fatais.
Durante as tratativas bilaterais, os prefeitos paulistas manifestaram apoio integral à proposta de demolição definitiva da estrutura abandonada. Como providência imediata, o governo federal informou que a Prefeitura de Limeira assumiu a obrigação de reabrir uma vala profunda na via de acesso terrestre. O fosso havia sido escavado no passado pela administração municipal para barrar a passagem de automóveis, mas acabou sendo soterrado clandestinamente por terceiros, sem o aval da municipalidade.
Em paralelo, a Prefeitura de Cordeirópolis e os agentes da SPU vão gerenciar o reforço de cercas periféricas e a instalação de sinalização vertical de advertência. As placas de aviso emitidas pelo Executivo federal vão atestar que o complexo pertence à União e que a invasão do perímetro configura infração legal.
A estrutura de concreto foi incorporada de forma oficial ao inventário de bens da União em maio deste ano. Segundo laudo emitido pela SPU, nenhuma das empresas ou associações que exploravam o turismo de aventura ou saltos radicais no local possuía autorização federal para operar.
A mobilização operacional nos canteiros da ponte foi registrada e divulgada pela vereadora Bruna Magalhães, que acompanha as vistorias técnicas das equipes de engenharia. A parlamentar defendeu a permanência de patrulhas de fiscalização nas estradas rurais que circundam a trilha para impedir o vandalismo contra as barreiras.
“Para que mais vidas não sejam perdidas nesse local. Vamos continuar cobrando, porque eu quero a placa de interdição. Está proibido o acesso à Ponte do Esqueleto”, declarou a vereadora ao monitorar a chegada do maquinário pesado.
O inquérito que apura a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas corre sob a tutela da Polícia Civil paulista. De acordo com o relatório técnico preliminar, a jovem sofreu o impacto da queda livre após a corda principal que sustentava o arnês de segurança do equipamento não ter sido conectada à base de ancoragem antes da autorização do salto.
Testemunhas que aguardavam na Trilha da Ponte do Esqueleto tentaram aplicar os procedimentos de reanimação cardiopulmonar na vítima. Médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram deslocados até o leito seco do vale, mas atestaram o óbito de Maria Eduarda no próprio local, em decorrência de múltiplos traumatismos causados pelo choque contra o solo.
A abordagem policial inicial registrou momentos de tensão. Segundo o boletim de ocorrência lavrado pelas primeiras guarnições que atenderam o chamado, dois funcionários da empresa de eventos tentaram fugir a pé em direção a uma área de mata fechada assim que notaram a aproximação das viaturas. O movimento de fuga exigiu o acionamento de um helicóptero Águia da Polícia Militar e de equipes adicionais de radiopatrulha para realizar o cerco e capturar os fugitivos no matagal.
Com base nos depoimentos e nas condições precárias de operação constatadas na trilha, a Polícia Civil tipificou o caso como homicídio com dolo eventual, sustentando que os organizadores assumiram abertamente o risco de produzir o resultado morte ao negligenciar as checagens duplas de segurança de um esporte de alto impacto.
A corporação apontou ainda que a localidade acumula um histórico denso de acidentes graves e óbitos precedentes na última década. Três funcionários vinculados à empresa responsável pela infraestrutura do rope jump foram presos em flagrante. Após passarem por audiência de custódia perante o Poder Judiciário, as detenções foram convertidas em prisões preventivas por tempo indeterminado.
