O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deu início ao lançamento oficial do primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, uma iniciativa histórica que visa retirar da invisibilidade milhares de brasileiros. O anúncio ocorre de forma escalonada pelas capitais: começou em Belém (PA) e chega à capital paulista nesta quarta-feira, 29 de abril.
Um dos pontos de referência para a ação é o CI-POP, Centro Integrado localizado no Rio de Janeiro, que realiza cerca de 200 atendimentos diários, oferecendo serviços de emissão de documentos e inscrição em programas sociais. O espaço simboliza a porta de entrada para a dignidade de pessoas como Igor dos Santos, que buscou o centro pela primeira vez para recuperar sua documentação e superar o preconceito. “Por muitas das vezes somos discriminados, olhados com olhares de menosprezo”, relatou Igor.
O fim da invisibilidade histórica
O objetivo central do novo censo é contabilizar e traçar o perfil demográfico e socioeconômico deste segmento populacional. Segundo a diretora de Geociências do IBGE, Maria do Carmo Bueno, a meta é transformar dados em políticas públicas eficazes. “A população em situação de rua sempre foi historicamente invisibilizada. Pretendemos trazer informações que possibilitem a criação de políticas para que essa situação possa ser resolvida”, ressalta a diretora.
Cronograma e Metodologia
Diferente dos censos tradicionais, esta coleta exige um preparo específico dos recenseadores:
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Preparação: Até a data da coleta, o IBGE realizará treinamentos e provas piloto para refinar o trabalho de campo.
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Coleta oficial: As informações serão colhidas em todo o país entre os dias 3 e 7 de julho de 2028.
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Resultados: A divulgação dos primeiros dados consolidados está prevista para dezembro de 2028.
Com a realização desta pesquisa, o Brasil espera não apenas quantificar quem vive nas ruas, mas oferecer as ferramentas necessárias para que o Estado possa assegurar direitos fundamentais e resgatar a cidadania deste grupo.
