
Hugo Barreto/Metrópoles
Brasileiros com algum tipo de deficiência têm mais dificuldade de inserção no mercado de trabalho e de continuidade na educação do que as demais pessoas. Entre eles apenas 29,2% estão efetivamente empregados, enquanto o número para quem não tem deficiência é de 66,4%.
As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2022, divulgada nesta sexta-feira (7/7) e feita em parceria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC).
Embora dados sobre pessoas com deficiência (PcD) tenham aparecido em levantamentos como o Censo Demográfico 2010 e a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), é a primeira vez que o Pnad aborda o tema. Isso permite a comparação de dados entre pessoas com e sem deficiência.
O estudo revela que apenas 25,6% das pessoas PcD concluíram o ensino médio, enquanto 57,3% dos brasileiros sem deficiência tinham esse nível de instrução. No nível superior, os índices dos dois grupos são de, respectivamente, 7% e 20,9%.
As diferenças de oportunidade, porém, refletem um problema de base na educação dessas pessoas. Isso porque o estudo identificou que 19,5% do grupo inédito são analfabetas, contra 4,1% dos demais membros da população.
Concentração no trabalho informal
Mesmo com o avanço no nível de formação, as oportunidades se apresentam de maneiras diferentes para as duas partes comparadas pela pesquisa. Enquanto 54,7% das pessoas com deficiência com diploma de nível superior trabalham, o índice é de 84,2% para a parcela sem deficiência.
Com esse cenário, o trabalho informal é a oportunidade para muitas pessoas PcD. Cerca de 55% do grupo trabalham na informalidade. O número é maior do que os 38,7% trabalhadores informais entre pessoas sem deficiência.
A diferença da renda é mais um aspecto que chama a atenção na comparação. A renda média do trabalho para os sem deficiência é de R$ 2.690. Para aqueles com deficiência, é R$ 1.860, valor 30,8% mais baixo. Para mulheres com deficiência, o número é ainda menor: a média salarial chega a R$ 1.553.
O estudo publicado pelo IBGE contabilizou, no total, 18,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no país. A somatória reúne brasileiros que tenham 2 anos ou mais de idade. Entre eles, 47,2% tinham 60 anos ou mais, a maior concentração nas faixas etárias contempladas pelo estudo.
