Inédito: Nasa divulga vídeo da nave que mais se aproximou do Sol

Imagens em alta definição da sonda Parker Solar revelam detalhes do vento radioativo em aproximação recorde

Por Marina, ContilNet 14/07/2025 às 14:42
kontekbrothers/Getty Images

A Nasa divulgou as primeiras imagens captadas pela sonda Parker Solar, a nave que chegou mais perto do Sol na história. O vídeo mostra o vento solar em detalhes nunca antes registrados por equipamentos humanos.

A aproximação com o Sol ocorreu em 24 de dezembro de 2024. Na ocasião, a sonda alcançou a distância de 6,1 milhões de quilômetros da superfície solar. Parece muito, mas a Terra está a 149,6 milhões de quilômetros da estrela. Para conseguir este feito, a sonda Parker é a nave criada que se move mais rápido em toda a história, a uma velocidade de 692 mil km/h, com uma série de equipamentos resistentes para poder capturar as imagens.

kontekbrothers/Getty Images

O vídeo revela partículas eletricamente carregadas se expandindo a partir da coroa solar. Esse fluxo, chamado de vento solar, causa efeitos por sua temperatura e radiação em satélites, redes elétricas e provoca também as auroras da Terra.

O sistema solar em números curiosos

  • O Sistema Solar tem oito planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Plutão não é considerado um planeta, ficando em uma categoria inferior, de planeta-anão.
  • Somando todos os planetas, são mais de 400 luas. Só Saturno conta com 274 luas e Júpiter possui 95 luas.
  • Em Marte está o ponto mais alto de superfície conhecida do Sistema Solar. O Monte Olimpo, com 22 quilômetros de altura, é um vulcão que tem mais de três vezes a altura do Monte Everest. Se ele estivesse no Brasil, seu território seria maior que o estado de Minas Gerais. Supõe-se que ele esteve em erupção ininterrupta por 2 bilhões de anos.
  • O planeta de mais gravidade é Júpiter, com cerca de 2,5 vezes a força da gravidade da Terra. Júpiter também é o maior planeta e o dono do dia mais curto (dá uma volta em si mesmo em só 10 horas terrestres).
  • O Sistema Solar não acaba após os planetas-anões. O Sol segue com uma zona de influência ativa por uma distância 100 vezes maior do que a dele para a Terra.
  • O ponto em que a zona gravitacional solar perde força é a chamada Heliopausa, mas o Sol segue sendo a estrela de referência por trilhões de quilômetros de uma região do espaço interestelar chamada de Nuvem de Oort.

Entendendo o clima do espaço e a missão da Parker

“A Sonda Solar Parker nos transportou mais uma vez para a atmosfera dinâmica da nossa estrela mais próxima. Esses novos dados nos ajudarão a aprimorar significativamente nossas previsões climáticas espaciais para garantir a segurança de nossos astronautas e a proteção de nossa tecnologia aqui na Terra e em todo o Sistema Solar”, afirmou Nicky Fox, da Diretoria de Missões Científicas da Nasa.

O objetivo da missão é entender melhor o clima espacial e como partículas aceleradas pelo Sol afetam a vida no Sistema Solar. A Parker foi projetada para resistir a temperaturas de até 1.371 °C e já opera desde 2018.

A missão mais veloz da história

Lançada há sete anos, a sonda usa a gravidade de Vênus para se aproximar em órbitas sucessivas do Sol. Em 2021, atravessou a coroa solar pela primeira vez e revelou que os limites da atmosfera externa são mais complexos do que se pensava.

A espaçonave é equipada com quatro instrumentos. O WISPR, responsável pelas imagens, possui duas câmeras resistentes à radiação. Com ele, os cientistas visualizaram a lâmina de corrente heliosférica, onde o campo magnético solar muda de direção, uma espécie de redemoinho de fogo e radiação.

Rumo às origens do vento solar

O conceito de vento solar foi proposto por Eugene Parker em 1958. Suas ideias enfrentaram resistência, mas inspiraram décadas de missões que confirmaram sua teoria. A sonda que leva seu nome é a primeira a investigar o fenômeno diretamente da coroa solar e descobriu-se que, na verdade, trata-se de dois fenômenos, os ventos solares rápidos e lentos.

O vento solar rápido pode ultrapassar 1,6 milhão de km/h e se origina como uma espécie de furacão magnético na superfície visível do Sol. Em 2024, cientistas conseguiram confirmar essa hipótese com a ajuda das imagens captadas pela Parker durante a aproximação extrema.

Mistérios do vento solar lento

Ainda pouco compreendido, o vento solar lento viaja a metade da velocidade do vento rápido. Sua densidade é duas vezes maior, e ele apresenta variabilidade magnética que pode interferir nos sistemas de comunicação da Terra.

A sonda confirmou a existência de duas subcategorias do vento solar lento: o alfvênico e o não alfvênico. O primeiro exibe pequenas oscilações; o segundo, não. Eles se originam em regiões diferentes da coroa solar. A próxima passagem da Parker, prevista para 15 de setembro de 2025, deve aprofundar essa análise.

Sonda resiste ao calor extremo

Após o voo recorde, a Nasa informou que a sonda segue “em boas condições e operando normalmente”. A espaçonave resistiu a temperaturas próximas de 1 mil °C durante a manobra, graças ao escudo térmico de alta resistência.

O contato com a Terra foi restabelecido dois dias após a aproximação. A Nasa confirmou que a sonda orbitará o Sol nessa distância até, pelo menos, setembro de 2025.


Fonte: Metrópoles

Conteúdo Original / Fonte: Redação

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