O Instituto Raoni emitiu uma nota oficial neste domingo (21) para contestar as declarações do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) a respeito da logística de transporte do cacique Raoni Metuktire. A entidade negou que o líder indígena ou seus familiares tenham recusado de forma arbitrária a aeronave cedida pelo governo de Minas Gerais para o deslocamento médico de Sinop (MT) até a capital paulista.
A manifestação da associação ocorre em resposta a um vídeo publicado pelo parlamentar mineiro em suas redes sociais no sábado (20). Na gravação, Cleitinho afirmou que a comitiva de Raoni rejeitou o suporte aéreo enviado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. “Chegando lá, simplesmente a família não quis o avião do Corpo de Bombeiros, queria um avião pressurizado”, declarou o senador.
De acordo com o relatório técnico divulgado pelo Instituto Raoni, o avião governamental mineiro pousou em Sinop na noite de quinta-feira (18), após articulação logística da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Contudo, a junta médica responsável pelo acompanhamento do líder de 93 anos vetou o embarque na linha sugerida devido ao plano de voo, que previa mais de nove horas de viagem e uma escala técnica para reabastecimento em Goiânia (GO).
A entidade justificou que o quadro clínico do paciente exigia o menor tempo de exposição possível ao voo. “O ideal era garantir a chegada a São Paulo com a maior rapidez e segurança possíveis”, informou o comunicado, ressaltando que a troca decorreu de critérios exclusivamente operacionais e biológicos, com o consentimento dos parentes.
Diante do impasse médico, o governo do estado de Mato Grosso disponibilizou uma UTI aérea modelo Cheyenne III. O veículo em questão possuía autonomia para realizar o trajeto direto até São Paulo em cerca de quatro horas, eliminando a necessidade de pousos intermediários.
“É falsa a afirmação de que o Cacique Raoni teria recusado uma UTI aérea ou exigido um jato para sua transferência. Não houve recusa arbitrária nem exigência pessoal”, destacou a instituição, que classificou a versão do congressista como “inverdade cruel, preconceituosa e tendenciosa”.
Raoni Metuktire deu entrada no Hospital São Paulo (HSP/Unifesp) na sexta-feira (19) para tratar um diagnóstico complexo de obstrução intestinal, desidratação crônica e pneumonia aspirativa, após apresentar crises de vômito e dores abdominais na semana anterior em Mato Grosso.
Na tarde de sábado (20), o ativista foi submetido a uma cirurgia de desobstrução intestinal por meio de uma técnica cirúrgica minimamente invasiva. O boletim médico mais recente emitido pela equipe hospitalar paulista indicou que o procedimento foi concluído com sucesso e sem intercorrências. Raoni preenche um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sob efeito de antibioticoterapia e monitoramento clínico contínuo. O quadro de saúde é considerado estável dentro da gravidade esperada para a idade do paciente.
