Internado em estado grave, irmão de Eloá baleado fará novo exame cerebral

Investigação sobre o atentado já soma sete mortos em supostos confrontos

Por Fhagner Soares, ContilNet 12/07/2026 às 19:07
Ronickson Pimentel dos Santos está na UTI do Hospital Mário Covas após traqueostomia/ Foto: Reprodução

O tenente da Polícia Militar de São Paulo Ronickson Pimentel dos Santos, baleado na cabeça no fim de junho em São Caetano do Sul, passará por um novo procedimento médico diagnóstico na próxima sexta-feira (17). O exame servirá para analisar a evolução de um quadro de vasoespasmo cerebral — complicação caracterizada pelo estreitamento das artérias que fornecem fluxo sanguíneo ao cérebro. A informação consta no boletim clínico divulgado pela corporação neste domingo (12).

De acordo com a nota oficial, a condição vascular é considerada uma reação esperada em decorrência do trauma sofrido na região craniana e vem sendo monitorada pelas equipes intensivistas desde o primeiro dia de internação. Os médicos realizam ajustes diários na terapia medicamentosa e aguardam o resultado do exame de sexta-feira para iniciar o planejamento de redução gradativa dos sedativos.

O oficial atua nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. O batalhão de Choque informou que o paciente continua em estado grave, porém estável e respondendo aos suportes terapêuticos.

Na última quinta-feira (9), Pimentel foi submetido a uma cirurgia de traqueostomia para otimizar o manejo das vias aéreas. A equipe médica relatou que o procedimento cirúrgico evoluiu de maneira satisfatória, sem a presença de sangramentos ou outras intercorrências secundárias. O militar segue dependente de ventilação mecânica por meio do novo acesso respiratório, com parâmetros de pressão intracraniana sob controle e ausência de episódios febris.

Ronickson Pimentel é irmão de Eloá Pimentel, jovem de 15 anos assassinada no ano de 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves, após um cárcere privado de mais de 100 horas que causou comoção nacional em Santo André.

O crime ocorreu na manhã de 27 de junho, quando o tenente estava parado em sua motocicleta em um semáforo da avenida Goiás, em São Caetano do Sul. Circuitos de segurança registraram o momento em que dois homens em outra moto se aproximaram por trás. O passageiro disparou contra a nuca do policial à queima-roupa e ambos fugiram na sequência. A Polícia Civil aponta que o ataque foi premeditado e monitorado por câmeras de vigilância locais.

Em menos de duas semanas, o inquérito policial que apura o atentado resultou na prisão de três suspeitos, mas também acumulou sete mortes de homens apontados preliminarmente pela PM como supostos envolvidos no episódio, distribuídos em diferentes confrontos no estado. Boletins de ocorrência registram que as mortes ocorreram durante operações da PM e da Rota na zona leste, zona sul, Guarulhos, Baixada Santista e Peruíbe após supostas reações armada e denúncias anônimas. Até o momento, contudo, a ligação direta desses mortos com o caso de Pimentel não foi pericialmente atestada. A sétima morte ocorreu na zona leste na última sexta-feira (10).

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) tenta localizar o principal executor do atentado, identificado como Hércules da Costa Siqueira, vulgo “Golias”. O governo paulista estabeleceu uma recompensa oficial no valor de R$ 50 mil por informações que levem à sua captura, sob a suspeita de que ele continue escondido em território nacional.

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