A investigação sobre o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly Cardoso, de 6 anos, e Allan Michael Cardoso, de 4 anos, deve ganhar abrangência internacional. Sumidos desde o início de janeiro no interior do Maranhão, os irmãos passarão a ser procurados com o suporte da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). A meta é estender o monitoramento para além das fronteiras brasileiras e apurar se as crianças foram vítimas de tráfico humano.
A inserção do caso nos sistemas da polícia internacional foi comunicada pela mãe das crianças, Clarice Cardoso, por meio de suas redes sociais, após reuniões de alinhamento com a equipe de investigadores da Polícia Civil do Maranhão.
Com a federalização e internacionalização do suporte logístico, as autoridades planejam cruzar dados migratórios e fazer uma varredura técnica em circuitos internos de segurança de portos, aeroportos e postos de fiscalização alfandegária. O objetivo é mapear se os irmãos passaram por pontos de controle interestaduais ou internacionais.
O caso que intriga as forças de segurança do Maranhão completou cinco meses sem respostas materiais. Ágatha e Allan Michael desapareceram no dia 4 de janeiro deste ano, em uma região de vegetação densa no perímetro rural de Bacabal.
No dia do incidente, os irmãos caminhavam acompanhados por um primo, Anderson Kauã, de 8 anos, que também sumiu na mesma data. Contudo, o destino do primo foi diferente: o garoto foi localizado caminhando sozinho três dias após o sumiço e restituído à família sem ferimentos graves.
A localização do primo desencadeou uma das maiores operações de busca e salvamento em mata já registradas no estado:
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Contingente: Mobilização de mais de 1.000 pessoas em campo;
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Composição: Articulação entre o Corpo de Bombeiros, policiais militares, civis e brigadas de voluntários da região;
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Resultado: Após semanas de varredura técnica com cães farejadores e drones, nenhum vestígio de roupas, pegadas ou pertences das duas crianças foi detectado na floresta.
Devido à repercussão nacional, uma comissão parlamentar da Câmara dos Deputados viajou até o município de Bacabal no último mês para cobrar celeridade e auditar o inquérito policial. Durante a sabatina dos parlamentares, o delegado encarregado pelo caso, Murilo Neto, argumentou que o recuo dos homens na mata não significou o arquivamento do caso. “O trabalho de investigação não parou. A mobilização das buscas em campo foi reduzida, mas a investigação segue ativa”, garantiu o policial.
A linha de frente da Polícia Civil trabalha hoje com foco na vertente criminal, uma vez que a perícia florestal praticamente descartou a possibilidade de as crianças terem se perdido e falecido de causas naturais na mata sem deixar vestígios biológicos. “A principal especulação é a possibilidade da participação de uma terceira pessoa, mas todas as vertentes continuam sendo investigadas”, pontuou o delegado.
A polícia informou que dezenas de denúncias anônimas foram checadas em diferentes estados. Em uma das diligências mais complexas, inspetores maranhenses deslocaram-se até a cidade de São Paulo após o recebimento de relatos sobre duas crianças com traços físicos idênticos aos irmãos hospedadas em um hotel paulistano. Após a abordagem e verificação de certidões, constatou-se que se tratava de um alarme falso.
No aguardo por pistas concretas, Clarice Cardoso relatou o desgaste psicológico provocado pela falta de notícias e informou que decidiu retomar suas atividades profissionais para garantir o sustento do filho mais velho, André.
“É difícil continuar sem notícias dos meus filhos e sem saber o que realmente aconteceu. Mas sigo firme na fé e na esperança de que Deus vai trazer respostas para mim e para todos que acompanham esse caso desde o começo. Preciso estar forte. Meus filhos precisam que eu esteja bem para quando forem encontrados”, desabafou a mãe.


