A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) anunciou o fechamento por tempo indeterminado do Estreito de Ormuz neste domingo (11). A interrupção da navegação na principal via marítima de escoamento de petróleo do Oriente Médio foi consolidada após militares iranianos dispararem um tiro de advertência contra uma embarcação que, segundo Teerã, tentava transitar por uma rota não autorizada.
De acordo com despachos de agências de notícias iranianas reproduzidos pela agência internacional Reuters, o bloqueio do canal estratégico não possui previsão de encerramento e está condicionado ao recuo das operações militares ocidentais na região do Golfo Pérsico.
Em nota oficial distribuída à imprensa pelas autoridades de Teerã, a Guarda Revolucionária justificou a medida drástica citando ações coordenadas pelo governo dos Estados Unidos e por nações aliadas.
“Diante da situação precária causada por essa interferência ilegal de partes externas, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso e até que a interferência regional dos Estados Unidos cesse. Nenhuma embarcação ou navio militar terá permissão para passar”, define o comunicado emitido pelo comando da corporação armada.
Em posicionamento publicado na rede social X, o braço militar iraniano reforçou que “qualquer interferência estrangeira ou determinação ilegal de rotas de navegação no Estreito de Ormuz será recebida com uma resposta decisiva e interromperá a normalização do tráfego no estreito”. Em entrevista a veículos locais, o general Jabbari, integrante da IRGC, declarou que o país persa possui capacidade para sustentar uma guerra de até dez anos contra as forças norte-americanas, ressaltando que os estoques de mísseis e de aeronaves não tripuladas (drones) continuam em plena fabricação.
A decisão de fechar o estreito ocorre dois dias após comunicados do próprio governo iraniano alertarem que os bombardeios norte-americanos inviabilizavam a reabertura segura da rota náutica. O cenário de beligerância ganhou traços críticos nos últimos dias, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar o encerramento do acordo de cessar-fogo que vigorava entre Washington e Teerã.
Na última semana, as forças armadas dos Estados Unidos conduziram ofensivas aéreas contra 170 alvos localizados dentro do território do Irã. Em retaliação imediata, as divisões de mísseis iranianas deflagraram ataques contra instalações e bases militares mantidas por tropas dos EUA em países vizinhos, incluindo estruturas operacionais situadas no Catar, no Kuwait e no Bahrein. O fechamento total do canal deve impactar os índices globais do preço do barril de petróleo bruto nas bolsas internacionais a partir desta segunda-feira.
