Irmã de Deolane Bezerra associa prisão a apoio político a Lula

Em vídeo, Daniele Bezerra afirma que inquérito contra influenciadora por lavagem de dinheiro foi aberto um mês após foto com o petista

Por Redação ContilNet 23/05/2026 às 20:54 Atualizado: há 1 hora

A advogada Daniele Bezerra utilizou suas redes sociais na tarde deste sábado (23) para traçar uma narrativa de teor político em torno da prisão de sua irmã, a influenciadora e também advogada Deolane Bezerra. Em um longo pronunciamento em vídeo, ela vinculou a investigação criminal contra a empresária — acusada pelas autoridades de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) — ao apoio eleitoral público declarado por Deolane ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha de 2022.

Daniele abriu o desabafo sustentando a tese de que a irmã passou a figurar como alvo de órgãos de controle logo após se posicionar na disputa pelo Palácio do Planalto. A advogada rememorou o episódio em que a influenciadora encontrou-se reservadamente com o então candidato petista na fase de pré-campanha.

“Havia uma menina que acreditava na democracia. Uma menina que acreditava em um país livre, que qualquer cidadão poderia expor sua posição política sem medo. No dia 24 de abril de 2022, Deolane decidiu se posicionar politicamente. Naquela terça-feira, esteve ao lado do então candidato à presidência da República, senhor Luiz Inácio Lula da Silva”, declarou Daniele.

Cronologia de ofícios e acusação de ‘distração coletiva’

Para dar sustentação à acusação de perseguição institucional, a irmã da empresária apresentou uma cronologia de atos burocráticos do Poder Judiciário paulista. Segundo a sua versão, um documento oficial teria sido confeccionado e despachado no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) exatamente seis dias após a repercussão da imagem de Deolane com Lula, no dia 2 de maio de 2022, solicitando a abertura de apurações.

A instauração formal do inquérito policial teria ocorrido, de acordo com os dados apresentados por Daniele, no dia 24 de maio do mesmo ano, completando um intervalo de 30 dias desde o marco da manifestação política da influenciadora. Ela criticou o aparato policial mobilizado para o cumprimento dos mandados e afirmou que a notoriedade da família está sendo instrumentalizada pelas forças políticas do país.

“É fácil transformar em manchete uma mulher conhecida nacionalmente. É fácil usar um nome famoso como combustível para guerra política, para engajamento e para distração coletiva”, protestou a advogada, acrescentando que teme o avanço de ações punitivas contra seus familiares. Ela estendeu o alerta a eleitores de diferentes espectros ideológicos: “Hoje é a minha família, amanhã pode ser você porque apoiou o Lula ou porque apoiou o Bolsonaro”.

Prisão em exercício profissional e silêncio de delegado

Outro ponto de contestação levantado pela defesa diz respeito à suposta recusa das autoridades em colher o depoimento formal de Deolane antes do decreto de prisão preventiva. Daniele assegurou que a influenciadora voluntariou-se a abrir o sigilo bancário de forma imediata assim que tomou conhecimento das suspeitas de transações financeiras atípicas em suas contas correntes.

“A Deolane chegou no DHPP [Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa] e falou: ‘Eu tô pronta para ser ouvida, me perguntem sobre qualquer real que entrou na minha conta’. E o que ela ouviu do delegado de polícia foi que ele não tinha interesse em ouvi-la agora”, relatou a irmã.

A manifestação pública de Daniele ocorre 24 horas após a detenção de Deolane Bezerra. Durante a audiência de custódia realizada perante o juiz de garantias, a influenciadora digital negou formalmente qualquer envolvimento com atividades de ocultação de bens ou repasses de capitais ilícitos de facções. Deolane sustentou em ata que sua prisão ocorreu de forma irregular, uma vez que os montantes questionados pelos investigadores seriam decorrentes de honorários advocatícios legítimos recebidos no exercício estrito de sua profissão. O caso segue sob segredo de Justiça.

Veja o vídeo: 

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