Israel manda esvaziar nove cidades no sul do Líbano antes de novos ataques

Comando militar israelense determina que moradores de nove cidades deixem suas casas imediatamente rumo ao norte

Por Fhagner Soares, ContilNet 05/06/2026 às 06:21
Ataques aéreos em Tiro mataram sete pessoas na última noite; balanço da ONU indica mais de 1 milhão de deslocados desde março/ Foto: Reprodução

As Forças de Defesa de Israel (IDF) emitiram, na manhã desta sexta-feira (5), uma ordem de evacuação imediata voltada a populações civis residentes em nove cidades localizadas na região sul do Líbano. O alerta de segurança antecede uma nova onda de incursões aéreas e operações terrestres iminentes contra posições logísticas e operacionais do grupo extremista xiita Hezbollah.

A determinação militar abrange as localidades de Sarafand, Tefahta, Saksakiyeh, Bablieh, Kaakaiyet Snawbar, Marwanieh, Anqoun, Arnaya e Kfarfila. O comando israelense orientou que os moradores se desloquem em direção às regiões situadas ao norte do rio Zahrani para evitar o que chamou de danos colaterais severos.

“Preocupados com a sua segurança, vocês devem evacuar suas casas imediatamente e se deslocar para o norte do rio Zahrani. Qualquer pessoa que esteja próxima a elementos do Hezbollah, suas instalações e meios de combate coloca sua vida em risco”, alertou o porta-voz oficial das IDF, Avichay Adraee, por meio de comunicados distribuídos em plataformas digitais.

O recrudescimento dos combates ocorre menos de 48 horas após os governos de Israel e do Líbano aceitarem formalmente os termos de uma proposta de cessar-fogo mediada pela diplomacia dos Estados Unidos na última quarta-feira (3). O pacto estipulava o recuo estratégico e a retirada completa das milícias do Hezbollah de todas as áreas localizadas ao sul do rio Litani, perímetro adjacente à fronteira oficial com o território israelense.

Contudo, a viabilidade do tratado ruiu na quinta-feira (4), quando a liderança máxima do Hezbollah rejeitou publicamente as condições de desarmamento impostas na mesa de negociações. O secretário-geral da organização, Naim Qassem, classificou a exigência internacional como uma tentativa de capitulação forçada.

“Tornar o desarmamento da resistência o ponto de partida de qualquer acordo equivale a destruir o poder do Líbano e constitui uma ameaça existencial para o povo resistente”, declarou Qassem em pronunciamento.

Diante do impasse político, a trégua prática não chegou a se consolidar e a aviação israelense desferiu pesados bombardeios na noite de quinta-feira. Segundo dados consolidados pela Defesa Civil libanesa, pelo menos sete pessoas morreram em ataques concentrados na cidade litorânea de Tiro. Um dos mísseis atingiu as imediações do Hospital Jabal Amel, provocando quatro mortes e deixando sete feridos. Em outro quadrante do mesmo município, uma segunda incursão matou três cidadãos e feriu cinco, incluindo duas crianças.

O balanço estatístico oficial monitorado pelo Ministério da Saúde do Líbano aponta que o conflito armado resultou na morte de ao menos 3.526 pessoas em território libanês desde o início da atual escalada de hostilidades, deflagrada em 2 de março. Outros 10.773 indivíduos sofreram ferimentos de gravidades diversas. Conforme relatórios atualizados emitidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), o volume de civis forçados a abandonar suas moradias para escapar das zonas de bombardeio já rompeu a barreira de 1 milhão de refugiados internos.

Do lado israelense da fronteira, os impactos das retaliações com foguetes, mísseis antitanque e drones de ataque operados pelas brigadas do Hezbollah também computaram perdas. O balanço de baixas confirmadas pelas IDF totaliza a morte de 27 soldados em serviço de campo e de um civil contratado para a prestação de serviços logísticos de suporte.

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