Justiça autoriza quebra de sigilo de celular encontrado na cela de Dr. Jairinho

Magistrada responsável pelo caso Henry Borel acolheu pedido da promotoria do Rio de Janeiro

Por Fhagner Soares, ContilNet 04/07/2026 às 12:47
Decisão paralela ordena remoção de informações falsas contra o pai da vítima na internet/ Foto: Reprodução

A Justiça do Estado do Rio de Janeiro autorizou a quebra do sigilo de dados do aparelho de telefone celular apreendido na cela de Jairo Souza Santos Júnior, o ex-vereador Dr. Jairinho. O dispositivo eletrônico foi localizado por agentes da Polícia Penal na última quarta-feira (1º) durante uma operação de fiscalização de rotina na unidade prisional onde o detento cumpre pena, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na zona oeste fluminense.

A decisão judicial atende a uma representação de caráter urgente protocolada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O deferimento do pedido foi assinado na sexta-feira (3) pela juíza Elizabeth Machado Louro, magistrada que presidiu o Tribunal do Júri responsável pela condenação do ex-parlamentar. O objetivo das autoridades é realizar uma varredura completa nos arquivos do aparelho para apurar eventuais crimes conexos praticados no interior do sistema penitenciário.

O procedimento de extração integral e análise dos dados armazenados no celular será executado por técnicos da Divisão Especial de Inteligência Cibernética (DEIC) do Ministério Público. Os promotores buscam identificar o teor das conversas e os destinatários das mensagens enviadas pelo condenado. Na manifestação encaminhada ao Poder Judiciário, o promotor Fábio Vieira dos Santos destacou a necessidade de mapear comunicações que indiquem tentativas de articulação política ou jurídica externa.

A linha de investigação do Ministério Público foca em aferir se Jairinho exercia influência sobre testemunhas ou se operava redes de contatos para interferir na regularidade da persecução penal. O pai da vítima e assistente de acusação no processo, Leniel Borel, manifestou-se de forma contundente sobre o episódio. Ele cobrou a responsabilização dos servidores ou intermediários que facilitaram a entrada do aparelho na cela, classificando a ocorrência como uma falha grave na segurança institucional.

A apreensão do telefone celular ocorreu poucas semanas após o desfecho do julgamento de primeira instância. Em 4 de junho deste ano, Jairo Souza Santos Júnior foi condenado a uma pena de 43 anos de reclusão em regime inicialmente fechado pelos crimes de tortura e homicídio qualificado pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021.

Em outra frente jurídica ligada ao caso, o Poder Judiciário do Rio de Janeiro determinou em caráter de urgência, na quinta-feira (2), que o pai do ex-vereador, Jairo Souza Santos, cesse imediatamente a difusão de conteúdos considerados falsos e ofensivos contra a honra de Leniel Borel. A ordem judicial impôs ainda a obrigação de que a empresa de tecnologia Google promova a remoção de vídeos e postagens desinformativas indexadas em suas plataformas associadas ao caso.

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