A costa do estado do Rio de Janeiro registrou uma sequência de cinco tremores de terra de baixa intensidade ao longo da última sexta-feira (26). De acordo com relatórios técnicos divulgados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), o abalo de maior impacto atingiu a magnitude de 2,5 na escala Richter e foi cronometrado às 8h58, no horário oficial de Brasília. O epicentro das atividades foi localizado em ambiente marítimo, a uma distância aproximada de 75 quilômetros do município de Saquarema, na Região dos Lagos.
O monitoramento contínuo da RSBR identificou que a atividade geológica se estendeu do início da manhã até o período da noite. Os sensores captaram as oscilações terrestres em cinco momentos distintos da jornada:
Os dados brutos coletados pelas estações físicas da rede nacional foram processados e analisados por engenheiros e pesquisadores do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). A infraestrutura da RSBR opera de forma conjunta sob a coordenação do Observatório Nacional (ON), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), contando ainda com o suporte técnico do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM).
Em comunicado divulgado por meio dos canais de comunicação da instituição, o sismólogo do Observatório Nacional, Gilberto Leite, buscou tranquilizar a população fluminense. Ele explicou que a movimentação decorre de pressões internas naturais da geologia regional e descartou cenários de perigo.
“O Brasil registra pequenos tremores de terra com certa frequência, especialmente devido às tensões tectônicas que atuam na crosta terrestre. Na maioria dos casos, esses abalos têm baixa magnitude e não chegam a ser sentidos”, detalhou Leite.
O especialista acrescentou que a margem sudeste da plataforma continental brasileira figura historicamente como a principal zona sísmica offshore (em alto-mar) do país. Apesar da constância dos registros, o pesquisador ressaltou a impossibilidade científica de se traçar prognósticos sobre o comportamento das falhas geológicas na área.
“Não há como determinar se novos tremores irão ocorrer, quando acontecerão ou qual será a intensidade desses eventos. O que sabemos é que o histórico de sismicidade dessa região é marcado principalmente por eventos de baixas magnitudes”, concluiu o sismólogo.
O fenômeno registrado na última sexta-feira repete um comportamento tectônico observado recentemente na mesma faixa litorânea do estado. Entre os dias 21 e 22 de maio deste ano, uma série de tremores com características semelhantes foi mapeada por cientistas nas imediações do município vizinho de Maricá. Naquela ocasião, contudo, a intensidade máxima foi ligeiramente superior, alcançando a marca de 3,3 de magnitude.
