O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro manifestou-se publicamente sobre a sequência de fortes terremotos que atingiu a Venezuela na noite da última quarta-feira (24). Detido desde janeiro no Metropolitan Detention Center, em Nova York, nos Estados Unidos, o ex-mandatário utilizou suas redes sociais oficiais, por meio de sua equipe técnica, para enviar uma mensagem de apoio à população e clamar por coesão nacional diante da catástrofe.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram capturados em Caracas no início do ano e transferidos para o sistema prisional norte-americano para responder a processos criminais, afirmaram acompanhar o desdobramento da tragédia. O ex-presidente cumpre regime de isolamento em uma cela individual, sem acesso direto à internet, rádio ou jornais impressos.
Na declaração emitida, o ex-governante convocou as comunidades locais a se organizarem para amparar os segmentos mais vulneráveis, citando nominalmente crianças, idosos e enfermos, enquanto os órgãos integrados de socorro operam nas frentes de trabalho.
“Hoje a palavra é uma só: máxima união, máxima solidariedade e máxima ação. Que ninguém fique sozinho, que cada comunidade cuide de suas crianças, de seus idosos, de seus enfermos”, declarou o ex-presidente em nota pública.
Maduro também estendeu o reconhecimento aos contingentes da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), médicos, bombeiros e voluntários civis engajados nas buscas por sobreviventes sob as estruturas colapsadas.
Os abalos de magnitude 7,2 e 7,5 mensurados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) destruíram edifícios na capital, Caracas, e em províncias litorâneas. Nas horas subsequentes aos dois principais choques subterrâneos, cujos epicentros registraram uma distância de cinco quilômetros entre si, a rede sismológica detectou ao menos 20 réplicas de menor intensidade. Embora o Palácio de Miraflores confirme a existência de mortos e feridos, as autoridades locais ainda trabalham na consolidação do inventário nacional de danos.

Defesa Civil da Venezuela identificou ao menos 20 réplicas após abalos principais/ Foto: Reprodução
A violência dos movimentos tectônicos reverberou em solo brasileiro. Moradores de capitais da Região Norte, como Boa Vista (RR), Manaus (AM), Macapá (AP) e Belém (PA), relataram oscilações em estruturas de concreto. Em bairros destas cidades, complexos residenciais e corporativos foram evacuados preventivamente após os ocupantes sentirem os reflexos da atividade sísmica caribenha.
Em Caracas, a presidente interina Delcy Rodríguez editou o decreto de estado de emergência nacional para agilizar o repasse de verbas de contingência. A máquina pública determinou o desligamento estratégico das redes de distribuição de gás encanado e de linhas de transmissão de energia elétrica em perímetros urbanos sensíveis para neutralizar riscos de incêndio. O funcionalismo público não essencial e as redes de ensino permanecem com as atividades paralisadas por tempo indeterminado.



