Mãe de Eliza Samudio publica desabafo e cobra respostas sobre paradeiro do corpo da filha

Sônia de Fátima afirmou em plataforma digital que convive com luto sem fim após 16 anos do homicídio

Por Fhagner Soares, ContilNet 04/07/2026 às 20:56
Ex-modelo desapareceu em Minas Gerais em junho de dois mil e dez após cobrar paternidade de bebê/ Foto: Reprodução

Sônia de Fátima Moura, mãe da ex-modelo Eliza Samudio, utilizou suas plataformas digitais neste fim de semana para compartilhar um manifesto a respeito da permanência da dor e da ausência decorrentes do assassinato de sua filha. Decorridos mais de 16 anos desde a execução do crime de repercussão nacional, a mãe relatou o impacto psicológico de conviver com um processo de luto inconclusivo devido à não localização dos restos mortais da jovem.

Na postagem, Sônia enfatizou que a passagem do tempo não atenuou o sofrimento familiar e reafirmou o desejo de obter informações oficiais que possibilitem a realização de um sepultamento formal para a ex-modelo.

“Até hoje eu busco respostas. Os anos passaram, mas a dor de uma mãe nunca passa. Levaram minha filha de forma cruel, e eu sigo convivendo com a ausência, com a saudade e com um luto que nunca teve um fim. Eu nunca pude me despedir da Eliza”, escreveu a mãe.

No texto divulgado aos seus interlocutores, Sônia de Fátima salientou que sua mobilização pública não se restringe à esfera do sofrimento particular, mas adquire o caráter de uma plataforma de enfrentamento à violência de gênero e ao feminicídio no país.

Ela destacou que a preservação da memória de Eliza funciona como um mecanismo para cobrar a eficácia dos sistemas de segurança pública e de responsabilização jurídica em casos análogos.

“A minha luta não é apenas pela memória da Eliza. É por verdade, por justiça e para que nenhuma outra mãe precise carregar a dor que eu carrego todos os dias. Enquanto eu viver, continuarei buscando respostas. Continuarei lutando. Continuarei honrando a memória da minha filha”, complementou.

O desaparecimento e a morte de Eliza Samudio, registrados originalmente em junho de 2010, figuram entre os episódios criminais de maior impacto na crônica policial e jurídica brasileira. À época, a ex-modelo, que cobrava o reconhecimento formal de paternidade de seu filho recém-nascido, foi atraída para o estado de Minas Gerais, onde foi mantida em cárcere privado antes de ser assassinada.

O ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes de Souza, foi formalmente denunciado, julgado e condenado pelo Tribunal do Júri à pena de reclusão por ter atuado como o mandante do homicídio qualificado, ocultação de cadáver e sequestro da jovem. Outros corréus no processo também receberam sentenças condenatórias por coautoria nos crimes executados.

Apesar das condenações criminais transitadas em julgado e do cumprimento das respectivas penas por parte dos envolvidos, os detalhes exatos relativos à destinação final e à localização dos restos mortais de Eliza permanecem desconhecidos pelas autoridades policiais. O impasse técnico nas investigações impede o encerramento simbólico do caso por parte dos familiares diretos da vítima.

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