Sônia de Fátima Moura, mãe da ex-modelo Eliza Samudio, utilizou suas plataformas digitais neste fim de semana para compartilhar um manifesto a respeito da permanência da dor e da ausência decorrentes do assassinato de sua filha. Decorridos mais de 16 anos desde a execução do crime de repercussão nacional, a mãe relatou o impacto psicológico de conviver com um processo de luto inconclusivo devido à não localização dos restos mortais da jovem.
Na postagem, Sônia enfatizou que a passagem do tempo não atenuou o sofrimento familiar e reafirmou o desejo de obter informações oficiais que possibilitem a realização de um sepultamento formal para a ex-modelo.
“Até hoje eu busco respostas. Os anos passaram, mas a dor de uma mãe nunca passa. Levaram minha filha de forma cruel, e eu sigo convivendo com a ausência, com a saudade e com um luto que nunca teve um fim. Eu nunca pude me despedir da Eliza”, escreveu a mãe.
No texto divulgado aos seus interlocutores, Sônia de Fátima salientou que sua mobilização pública não se restringe à esfera do sofrimento particular, mas adquire o caráter de uma plataforma de enfrentamento à violência de gênero e ao feminicídio no país.
Ela destacou que a preservação da memória de Eliza funciona como um mecanismo para cobrar a eficácia dos sistemas de segurança pública e de responsabilização jurídica em casos análogos.
“A minha luta não é apenas pela memória da Eliza. É por verdade, por justiça e para que nenhuma outra mãe precise carregar a dor que eu carrego todos os dias. Enquanto eu viver, continuarei buscando respostas. Continuarei lutando. Continuarei honrando a memória da minha filha”, complementou.
O desaparecimento e a morte de Eliza Samudio, registrados originalmente em junho de 2010, figuram entre os episódios criminais de maior impacto na crônica policial e jurídica brasileira. À época, a ex-modelo, que cobrava o reconhecimento formal de paternidade de seu filho recém-nascido, foi atraída para o estado de Minas Gerais, onde foi mantida em cárcere privado antes de ser assassinada.
O ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes de Souza, foi formalmente denunciado, julgado e condenado pelo Tribunal do Júri à pena de reclusão por ter atuado como o mandante do homicídio qualificado, ocultação de cadáver e sequestro da jovem. Outros corréus no processo também receberam sentenças condenatórias por coautoria nos crimes executados.
Apesar das condenações criminais transitadas em julgado e do cumprimento das respectivas penas por parte dos envolvidos, os detalhes exatos relativos à destinação final e à localização dos restos mortais de Eliza permanecem desconhecidos pelas autoridades policiais. O impasse técnico nas investigações impede o encerramento simbólico do caso por parte dos familiares diretos da vítima.
