A estudante Valentina Nobre Lima, de 11 anos, morreu neste domingo (5) após passar 23 dias internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido a complicações provocadas pela picada de um escorpião. O acidente doméstico ocorreu no dia 12 de junho na residência da família, localizada na região administrativa de Riacho Fundo I, no Distrito Federal. A menina foi atingida pelo aracnídeo no momento em que calçava um tênis para se deslocar até a escola.
O falecimento foi confirmado pela mãe da criança. Durante o período de internação hospitalar, o quadro clínico de Valentina agravou-se de forma severa, e ela sofreu três paradas cardiorrespiratórias — uma das quais com duração de 40 minutos. Nas redes sociais, a irmã da vítima, Izabela Nobre, publicou um comunicado formal em nome dos familiares.
“Embora a dor da saudade seja imensa, seguimos confiando que Deus realizou Sua boa e perfeita obra. Somos gratos pela vida da Valentina, pelo amor que ela compartilhou e pelas lembranças que permanecerão para sempre em nossos corações. Que o Senhor nos conceda forças, consolo e esperança para atravessar este momento”, manifestou.
Logo após o acidente, a família tentou obter suporte de emergência no quartel do Corpo de Bombeiros Militar do Riacho Fundo I. Contudo, devido à necessidade de intervenção imediata, os próprios parentes conduziram a menina ao Hospital Regional do Guará (HRG), apontado como a unidade de saúde da rede pública mais próxima do local da ocorrência. No hospital, Valentina recebeu a aplicação do soro antiescorpiônico, protocolo padrão para bloquear a toxicidade do veneno.
Apesar da administração do imunobiológico, a paciente não respondeu ao tratamento conforme o esperado e desenvolveu disfunções sistêmicas. Diante da necessidade urgente de um leito especializado de alta complexidade, a estudante foi transferida para a UTI do Hospital Santa Lúcia, situado na Asa Norte. Durante as semanas de internação na rede particular, familiares, amigos e membros da comunidade local mobilizaram-se em duas vigílias e rodas de oração em frente à unidade de saúde.
O caso reacendeu o debate sobre o controle de pragas urbanas e as condições de saneamento nas regiões administrativas do Distrito Federal. De acordo com relatos de parentes da vítima, a presença de escorpiões é um problema crônico na localidade.
Claudete Cirino, tia de Valentina, afirmou que o aparecimento dos animais peçonhentos costuma intensificar-se nos meses finais do ano, impulsionado pelo início do período de chuvas no Planalto Central. Os moradores relatam ter capturado mais de 200 escorpiões ao longo do último ano no perímetro residencial.
