O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), identificou ao menos 132 suspeitos de envolvimento com crimes digitais de extremismo, discurso de ódio e incitação à violência em todo o país. O levantamento estatístico compreende as investigações realizadas entre os meses de janeiro e maio deste ano em 21 unidades da Federação.
De acordo com dados consolidados pelo órgão federal, o monitoramento técnico subsidiou a deflagração de pelo menos 10 operações policiais integradas no período, com maior concentração de mandados e apreensões nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A ação mais recente ocorreu na última sexta-feira (19), quando a Polícia Federal (PF) cumpriu ordens judiciais em Jaraguá (GO) contra um adolescente suspeito de coordenar grupos virtuais dedicados à difusão de ideologias radicais.
O núcleo de inteligência cibernética atua no rastreamento de dados tanto na chamada internet aberta quanto em camadas criptografadas de difícil acesso, como a deep web e a dark web. O foco das varreduras consiste em mapear a articulação de ataques, a disseminação de conteúdos violentos e tentativas de planejar atentados contra instituições de ensino.
O coordenador do Ciberlab, delegado Paulo Henrique Benelli, explicou que a faixa etária dos indivíduos identificados nas redes criminosas varia de 9 a 35 anos. O envolvimento de menores de idade é classificado pelas autoridades como frequente, sobretudo no papel de replicadores e dinamizadores de desafios violentos em fóruns de discussão privados.
“Geralmente, são adolescentes que incentivam meninas a se automutilarem, propõem desafios que envolvem matar animais ou atear fogo em outras pessoas. Nós identificamos os grupos que replicam e disseminam discursos de ódio em diferentes espaços da internet e encaminhamos as informações para que as forças de segurança possam atuar com a devida materialidade dos crimes e os elementos de autoria necessários para a realização de operações”, detalhou Benelli.
O processo de localização dos investigados é abastecido por relatórios de inteligência que cruzam metadados obtidos no monitoramento preventivo, denúncias enviadas por corporações civis e dados técnicos fornecidos por plataformas digitais e organismos internacionais de cooperação policial.
Após a consolidação dos indícios de autoria, o laboratório do ministério formata relatórios técnicos detalhados. O material é repassado para as polícias civis estaduais ou para a Polícia Federal, instâncias responsáveis por representar pelas ordens de busca, apreensão e prisão perante o Poder Judiciário. A democratização das ferramentas de conectividade tem sido apontada pelo órgão como fator de expansão de células radicais autônomas no território nacional.

