Morte de Renato Machado comove o telejornalismo e gera onda de despedidas

Apresentadores como Sandra Annenberg, William Bonner e Leilane Neubarth homenagearam o jornalista

Por Fhagner Soares, ContilNet 17/07/2026 às 06:05
Veterano da TV Globo morreu no Rio de Janeiro vítima de insuficiência cardíaca/ Foto: Reprodução

A morte do jornalista Renato Machado, aos 83 anos, provocou uma onda de consternação e homenagens entre os principais nomes do telejornalismo brasileiro. O profissional, que marcou época na TV Globo ao longo de quatro décadas, faleceu nesta quinta-feira (16) em decorrência de uma insuficiência cardíaca, enquanto estava internado na Clínica São Vicente da Gávea, na zona sul do Rio de Janeiro.

O falecimento do ex-âncora do Bom Dia Brasil e ex-correspondente internacional mobilizou figuras centrais da imprensa escrita e falada, incluindo Pedro Bial, William Bonner, César Tralli, Ana Paula Araújo e Leilane Neubarth,  que dividiu a apresentação do matutino com ele nos anos 1990. Entre as manifestações públicas de afeto e respeito profissional, o relato emocionado de Sandra Annenberg destacou-se ao revelar os bastidores da convivência na redação.

Sandra Annenberg não conteve as lágrimas ao resgatar memórias dos plantões de fim de semana e feriados que dividiu com Renato Machado na bancada do Jornal Nacional. A jornalista relembrou um hábito cultural do colega, que costumava declamar passagens clássicas do dramaturgo britânico William Shakespeare nos intervalos das transmissões ao vivo.

Em um depoimento público, Sandra recordou os diálogos teatrais que travavam na mesa de corte:

“Nós em plantões juntos no JN, na redação, você declamava Shakespeare. Dizia o texto de Romeu. Jurava pela Lua o amor por Julieta. E eu respondia: ‘Não jure pela Lua, ela é tão inconstante’”, relatou a apresentadora.

Annenberg detalhou o período em que trabalhavam lado a lado, apontando que utilizava os momentos de convivência para observar a técnica do colega. “Com você, Renato, eu aprendi muito. A sua postura, o seu português escorreito… Eu gostava de ficar te observando, sentada ao seu lado na bancada, como você tinha o tom perfeito para cada notícia. Você foi, é e sempre será uma referência para todos nós”, concluiu.

A despedida de Renato Machado uniu diferentes gerações de profissionais que conviveram com o jornalista ou que o tiveram como espelho no início da carreira. William Bonner e Ana Paula Araújo destacaram a precisão textual e a sobriedade que ele imprimia ao noticiário econômico e internacional. César Tralli ressaltou a elegância do estilo do veterano, que conseguia traduzir temas complexos de forma acessível ao telespectador.

Leilane Neubarth, parceira de bancada na consolidação do formato moderno do Bom Dia Brasil entre 1996 e 2010, também manifestou pesar pela perda do amigo, lembrando o período em que o programa matinal passou a ter maior dinamismo, em parte devido à sensibilidade editorial de Machado como editor-chefe.

Ao longo da trajetória na televisão, Renato Machado ocupou postos de alta relevância, como a apresentação do Jornal da Globo e do RJTV, além de coberturas históricas de conflitos e acordos internacionais direto de escritórios na Europa. Nos últimos anos de atividade na TV aberta, atuou como repórter especial do Globo Repórter.

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