O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio de seu Núcleo de Apoio Técnico Especializado (NAT), realizou uma reunião de alinhamento com técnicos e pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac) para discutir a formatação de um projeto piloto de monitoramento ambiental. A iniciativa tem como escopo central a análise técnica das bacias hidrográficas que exercem influência direta sobre o sistema de abastecimento de água e a drenagem urbana de Rio Branco.
A estruturação do projeto é o desdobramento de uma força-tarefa interinstitucional que já envolve o órgão ministerial, o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) e a Secretaria de Estado de Habitação e Urbanismo (Sehurb). Inicialmente, o grupo buscava alternativas de engenharia para mitigar os frequentes transbordamentos que afetam o tráfego e o comércio na região do bairro Calafate, em um trecho próximo à loja Havan. No entanto, o avanço dos debates indicou que a solução do problema local exigiria um diagnóstico mais amplo e sistêmico dos recursos hídricos da capital.
De acordo com a coordenadora da Assessoria Técnico-Científica do NAT, Luana Matsuo, as recorrentes inundações registradas no leito do Igarapé Amaro funcionaram como um alerta para a urgência de uma radiografia ambiental abrangente. O foco é entender de que forma os impactos climáticos afetam o balanço hídrico que abastece a população de Rio Branco.
A coordenadora explicou que a principal meta do projeto piloto é consolidar uma metodologia científica inédita. O modelo técnico gerado na capital poderá ser exportado e aplicado em outras administrações municipais do interior do Acre que também enfrentam alta vulnerabilidade a eventos climáticos extremos.
O suporte científico da cooperação ficará concentrado na expertise da universidade federal. Durante o encontro, o professor doutor Tarcísio Fernandes, representante da Ufac na mesa de discussões, argumentou que o uso de ferramentas de simulação hidrológica converteu-se em um insumo indispensável para balizar as políticas de planejamento urbano e a execução de obras públicas estruturantes.
Para o pesquisador, os modelos de projeção computacional ajudam a prever com alto grau de fidelidade as reações das bacias hidrográficas frente às anomalias do clima. “Por meio da modelagem hidrológica e simulações computacionais, é possível delimitar com maior precisão as manchas de inundação causadas por eventos extremos, como chuvas intensas, mapear áreas urbanas críticas que demandam obras estruturais e identificar Áreas de Preservação Permanente (APPs) que precisam ser recuperadas”, detalhou Fernandes.
Com os dados de manchas de inundação gerados pela parceria, o poder público e as agências habitacionais do Estado poderão traçar estratégias sustentáveis de contenção e prever de forma preventiva a realocação ou proteção de áreas habitadas de risco na Amazônia Sul-Ocidental.

