Uma mulher perdeu aproximadamente R$ 80 mil após ser vítima de um golpe aplicado por um homem com quem mantinha contato por meio de redes sociais na internet. O suspeito do crime foi identificado pelas autoridades policiais como Melque Nascimento de Sousa. Ele é acusado de induzir a vítima a realizar transferências financeiras contínuas e a contrair dívidas bancárias sob falsas promessas afetivas. O nome da mulher é mantido em sigilo por razões de segurança.
A Polícia Civil investiga a ocorrência sob a tipificação jurídica de estelionato sentimental, configuração em que o autor se utiliza de vínculos emocionais fictícios para obter vantagens econômicas ilícitas de natureza patrimonial.
De acordo com as informações registradas no boletim de ocorrência, o suspeito e a vítima se encontraram pessoalmente em apenas uma oportunidade ao longo de todo o período de convivência virtual. Nas interações diárias, Sousa alegava passar por dificuldades financeiras graves e afirmava que precisava de recursos de terceiros para conseguir reconstruir a própria vida e adquirir bens de uso pessoal e objetos domésticos variados.
O histórico de transações financeiras apresentado aos investigadores revela o tamanho do prejuízo material. Motivada pela promessa de que ambos iniciariam uma convivência amorosa estável em um futuro próximo, a mulher realizou múltiplos repasses eletrônicos via Pix que totalizaram mais de R$ 50 mil diretamente para as contas indicadas pelo investigado.
Em um segundo momento do esquema, quando as economias da vítima começaram a se esgotar, Sousa conseguiu convencê-la a contratar linhas de crédito em instituições bancárias, acumulando mais de R$ 30 mil em novos empréstimos com juros parcelados.
A farsa começou a ser desfeita no momento em que as parcelas dos financiamentos começaram a vencer e a mulher passou a cobrar o ressarcimento dos valores. Para tentar ganhar tempo e evitar a denúncia, Melque de Sousa propôs formas incomuns de abatimento da dívida financeira. Ele ofereceu à vítima a entrega de mercadorias sem procedência legal, incluindo um freezer comercial, uma motocicleta e até mesmo uma arma de fogo de uso restrito.
Após cortar o contato presencial e perceber o iminente registro da queixa no sistema de segurança, o homem efetuou uma chamada telefônica derradeira para a vítima. Durante a ligação, o suspeito solicitou formalmente que ela não formalizasse o boletim de ocorrência na delegacia e justificou seu sumiço alegando que havia viajado para o município de Costa Marques, no interior do estado de Rondônia.
Até a última atualização desta reportagem, as forças policiais estaduais monitoravam as rotas na região de fronteira, mas o suspeito permanecia sem ser localizado pela divisão de capturas.
