Pastor e empresário Márcio Poncio é preso pela Polícia Federal no Rio

Investigação de âmbito federal atinge o comando de grupo empresarial imerso no setor tabagista

Por Fhagner Soares, ContilNet 02/07/2026 às 07:00
Político fluminense acumulou derrotas nas urnas antes de se tornar alvo da corporação/ Foto: Reprodução

O pastor evangélico e empresário Márcio Poncio foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (2), no Rio de Janeiro. A ação cumpre um mandado de prisão expedido no âmbito da quinta fase da Operação Unha e Carne. Poncio, que ganhou notoriedade nacional como o patriarca de uma das famílias de maior engajamento e repercussão nas redes sociais brasileiras, atua no segmento industrial de tabaco, atividade que lhe rendeu no meio comercial o apelido de “pastor do cigarro”.

Ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio. O clã familiar converteu-se em um fenômeno de audiência digital nos últimos anos, caracterizado pela exposição pública de rotinas de alto padrão financeiro, ostentação de patrimônio e controvérsias pessoais que frequentemente figuravam entre os tópicos mais comentados da internet.

No plano religioso, Márcio Poncio apresenta-se digitalmente como líder da chamada Igreja da Nuvem. Paralelamente às atividades eclesiásticas e ao gerenciamento de suas companhias produtoras de cigarros, o empresário buscou consolidar uma trajetória na política do estado do Rio de Janeiro ao longo dos últimos ciclos eleitorais.

Em 2022, Poncio candidatou-se ao cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Na ocasião, o pastor obteve cerca de 33 mil votos nas urnas, desempenho insuficiente para garantir uma cadeira direta na Câmara dos Deputados, finalizando o pleito na condição de segundo suplente de sua coligação partidária.

Em julho de 2025, o empresário articulou uma nova movimentação partidária ao anunciar sua pré-candidatura à prefeitura do município de Três Rios, localizado na região centro-sul fluminense. A disputa deu-se por meio de uma eleição suplementar extraordinária, convocada pela Justiça Eleitoral após a cassação definitiva do mandato do então prefeito Joa Barbaglio (Republicanos).

Durante a campanha do ano passado, Márcio Poncio fundamentou sua estratégia eleitoral na visibilidade de seu sobrenome e em suas conexões históricas com o município do interior do estado. A tese de apelo popular, contudo, não se converteu em vitória nas urnas, e o pleito suplementar terminou com a eleição de Jonas Dico (Podemos) para a chefia do Executivo municipal.

As investigações da Polícia Federal que culminaram na prisão do pastor nesta quinta-feira seguem sob sigilo analítico, e os detalhes técnicos das acusações financeiras ou administrativas da Operação Unha e Carne deverão ser detalhados em entrevista coletiva da corporação.

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